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De Brasília a Miami: o passo a passo da rota de Flávio Bolsonaro entre a promessa de ficar e a saída do país | Jornal Em Destaque por Orlando Dias em DESTAQUE

De Brasília a Miami: o passo a passo da rota de Flávio Bolsonaro entre a promessa de ficar e a saída do país

Passagem pela Argentina, escala no Equador e carta contestando as urnas marcam a viagem do senador; PF investiga descumprimento de ordem judicial



De Brasília a Miami: o passo a passo da rota de Flávio Bolsonaro entre a promessa de ficar e a saída do país Classificação

Postado há 9 dias | Brasília | DESTAQUE |

Orlando Dias

Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro dizia que permaneceria no Brasil e entregaria seus passaportes. Na quarta, desembarcava com a mulher e as duas filhas em Miami. Entre a declaração e a chegada aos Estados Unidos, passaram-se menos de 42 horas, marcadas por informações contraditórias sobre seu paradeiro e uma viagem pela Argentina e pelo Equador.

A sequência abaixo reúne os trechos documentados dessa saída. Há, porém, uma lacuna: as fontes consultadas não permitem estabelecer com segurança o horário em que a família deixou sua residência nem reconstruir integralmente o percurso até a fronteira.


Segunda-feira: a promessa de permanecer

Em 26 de outubro, um dia depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio visitou o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Segundo seu próprio relato, foi intimado pela Polícia Federal na saída do condomínio a entregar os passaportes.

Naquela tarde, publicou um vídeo afirmando que não pretendia sair do país. Mais tarde, recebeu o advogado Frederick Wassef em sua residência. Esses estão entre os últimos movimentos conhecidos antes de seu paradeiro se tornar incerto.

A restrição de viagem havia sido determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de uma investigação. A PF informou que os passaportes brasileiros foram cancelados e que Flávio não entregou eventuais documentos de outras nacionalidades no prazo estabelecido.


Terça-feira: a travessia noturna

Enquanto circulavam versões de que o senador já estaria nos Estados Unidos, ele ainda permanecia no Brasil. Às 22h50 de terça-feira, Flávio e a família entraram na Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú. Segundo informações das autoridades migratórias argentinas reproduzidas pela imprensa, ele apresentou um passaporte italiano.

Do lado brasileiro, a PF não encontrou registro de passagem do parlamentar pelos postos de controle migratório. A corporação abriu investigação sobre as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais.

A família seguiu para o aeroporto de Puerto Iguazú, onde embarcou em um jato particular operado pela argentina Baires Fly. O destino inicial era Guayaquil, no Equador, antes da etapa final para a Flórida.


Quarta-feira: Miami e a carta alterada

O avião pousou no Aeroporto Executivo Miami-Opa Locka às 10h23, pelo horário de Brasília. Flávio desembarcou acompanhado da mulher, Fernanda, e das duas filhas. A família deixou o terminal protegida por guarda-chuvas e entrou em um veículo sob escolta policial.

Horas depois, a viagem ganhou um novo capítulo político. Uma primeira versão da carta divulgada após sua chegada apresentava Flávio como “verdadeiro presidente eleito”. A expressão foi substituída por “líder do Brasil”. No documento, ele agradeceu a Javier Milei e Donald Trump e anunciou que pretende comandar a oposição do exterior.

O senador alegou fraude eleitoral sem apresentar provas. A vitória de Lula foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral, por observadores internacionais e pelo próprio PL. Flávio, por sua vez, nega irregularidades nas investigações e sustenta que sofre perseguição política e judicial.

Até esta atualização, as fontes consultadas não confirmavam seu endereço de hospedagem. O aliado Paulo Figueiredo anunciou uma entrevista coletiva em Miami para a tarde desta quinta-feira, sem informar inicialmente horário e local.


A disputa agora passa pela Justiça e pela política

No Brasil, deputados do PT solicitaram prisão preventiva e medidas para eventual inclusão na difusão vermelha da Interpol. Pedido, contudo, não equivale a decisão: não foi localizada, nesta checagem, confirmação de prisão decretada ou extradição formalmente solicitada. A PF ressalta que restrições de viagem, isoladamente, não tornam alguém foragido. A Interpol também esclarece que seu alerta não constitui mandado internacional de prisão.

Lula criticou a saída do senador e a classificou como desrespeitosa com seus eleitores. Na oposição, Rogério Marinho afirmou não haver provas para sustentar fraude, enquanto Tarcísio de Freitas defendeu respeito ao resultado das urnas.

No exterior, o acolhimento americano acrescenta tensão à relação com Brasília. Trump autorizou a entrada da família, mas disse que não se envolveria na autoproclamação. Analistas ouvidos pela Associated Press veem um revés para a extrema direita internacional, embora a narrativa de perseguição possa mobilizar suas bases. Ainda não há evidência para atribuir ao episódio mudanças nas intenções de voto em outros países, inclusive onde há eleições próximas. Seu alcance eleitoral permanece uma hipótese, não um efeito demonstrado.








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