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Supervia é multada em mais de 2 milhões de reais por falta de investimentos nos trens | Jornal Em Destaque por Helio de Carvalho: Jornalista do ED: em Da Redação

Supervia é multada em mais de 2 milhões de reais por falta de investimentos nos trens

Concessionária foi multada por descumprir itens do contrato de concessão, como a modernização de subestações e duplicação do trecho Gramacho-Saracuruna



Supervia é multada em mais de 2 milhões de reais por falta de investimentos nos trens Classificação

Postado há 4 ano(s) | Rio de Janeiro | Da Redação |

Helio de Carvalho: Jornalista do ED:

Não é de hoje que o Jornal Em Destaque vem denunciando o descaso da SuperVia com os usuários, que pagam caro pelo serviço de péssima qualidade, e acompanhando a CPI dos Trens aberta pela Alerj.

Na noite de ontem, o RJ2 divulgou um relatório da Agência Reguladora de Transportes (Agetransp) que pode explicar o motivo dos problemas nos trens da Supervia. De acordo com a reportagem, a concessionária não fez vários investimentos que estavam previstos no contrato de concessão e foi multada por isso.

A Agetransp afirma que a Supervia falhou em cinco itens do plano:

1.    reformar e adequar à acessibilidade 48 estações;

2.    modernizar as subestações e revitalizar a via;

3.    instalar o sistema de sinalização ATP, que controla a velocidade dos vagões;

4.    construir novos pátios e duplicar o trecho Gramacho-Saracuruna;

5.    substituir equipamentos e melhorar os trens no trecho Saracuruna-Guapimirim.

Atrasos, vandalismo e furto de cabos

Quem precisa dos trens da Supervia já começou a semana enfrentando dificuldades. Na manhã desta segunda-feira (4), os quatro ramais estavam com atrasos.

É cansativo porque a gente sai cedo de casa, mas não adianta nada. A gente acaba se atrasando no trabalho. O intervalo também, que é muito grande. Santa Cruz, por exemplo, eles tiraram o expresso, aí é parador pra gente todo dia", diz uma passageira.

Na manhã desta terça-feira (5), quem utilizou o ramal Japeri-Central e precisou mudar para o ramal Gramacho, teve que optar por outro tipo de transporte, pois o serviço de alto-falante das estações informava que não havia trens.  

Vim de Japeri até o Maracanã, onde mudo de plataforma e pego o trem para Manguinhos, onde trabalho. Para minha surpresa não tinha trem e tive que sair da estação e pegar um ônibus. Depender dos trens se tornou uma aventura, todos os dias”, disse uma passageira.

Em Belford Roxo, o vandalismo atrapalhou a operação. O trem que saiu em direção à Central não conseguiu chegar nem à primeira estação de Agostinho Porto. Teve que retornar porque havia muito lixo acumulado sobre os trilhos. Vândalos, então, botaram fogo e depredaram equipamentos na estação.

Já nos ramais Deodoro, Japeri e Saracuruna, os intervalos foram maiores do que os normais por causa de problemas na sinalização.

O patrão muitas das vezes não entende [o atraso]. Eu saio de casa às quatro da manhã pra pegar às sete no trabalho. O trem atrasa, eu vou chegar atrasado”, diz o porteiro Marco Ferreira.

A explicação para tantos problemas pode estar no documento obtido pelo RJ2.

A Agetransp aponta que a Supervia não cumpriu nos últimos 10 anos os investimentos na estrutura que estavam previstos no contrato de concessão assinado com o governo do estado em 2010. A empresa foi multada pelo descumprimento de cada um desses itens, totalizando mais de R$ 2,2 milhões referentes à primeira fase do plano de investimentos.

A Supervia alega que enfrenta problemas com o furto de cabos, que só este ano aumentou mais de 200%. Ela diz que, desde o começo da pandemia, teve um prejuízo de mais de R$ 600 milhões e que, no ano passado, entrou com um processo de recuperação judicial.

O governo do estado criou em setembro do ano passado uma força-tarefa para combater a ação de criminosos que furtam cabos e outros equipamentos na ferrovia.

Mas o descumprimento de investimentos necessários, previstos no contrato de concessão, tem prejudicado os passageiros no dia-a-dia.

Eles sempre informam que é problema de cabo, que roubaram os cabos. Esse negócio de cabo, roubo de cabo, essas coisas aí, a gente já não acredita mais, né?”.

O que dizem os envolvidos

A Secretaria de Estado de Transportes informou que eventuais pendências nos investimentos da Supervia fazem parte do oitavo e do nono aditivos ao contrato de concessão. E que esse assunto vem sendo tratado em negociações com a empresa.

A Supervia afirmou que enviou ao governo do estado a comprovação de investimentos previstos no contrato de concessão.

CPI dos Trens

Como publicado pelo ED no dia 14 de março, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) investiga as interrupções e atrasos nos serviços de trens. A Presidente da CPI, a deputada Lucinha (PSDB) falou sobre o impacto do serviço ofertado pela concessionária no cotidiano do povo fluminense:

As irregularidades do sistema de trens vêm afetando a vida dos usuários. Conversando com eles constatamos que muitas vezes um terço do que recebem é gasto em passagens. Além disso, o trabalho informal é a realidade de grande parte da população”. Lucinha também informou que a CPI solicitou à Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Estado (Agetransp) um detalhamento de todas as multas já aplicadas pela agência à SuperVia.

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