ATÉ TU, MICKEY? Um rato foi clicado confinado na plataforma da Linha Central de Londres, enquanto o Reino Unido continua em isolamento para ajudar a conter a propagação do novo coronavírus, afinal, o país ultrapassou a Itália e tem o maior número de mortes pela Covid-19 da Europa - hoje são 29.315 mortes. Afinal, o Reino
Unido se tornou um exemplo para outros do que não fazer?
No início da pandemia, a estratégia do governo britânico contra o coronavírus baseava-se na "mitigação" e na "imunização de rebanho", ou infecção de grande parte da população, que na teoria desenvolveria imunidade coletiva com o objetivo de proteger todos os cidadãos. Mas, mais tarde, a política mudou, após a publicação de um modelo matemático apresentado pelo Imperial College de Londres que deu um panorama extremamente sombrio de como a doença ia se propagar pelo país, como ia impactar o sistema público de saúde (o NHS, similar ao SUS) e quantas pessoas iam morrer.
Os números do Reino Unido são considerados graves pelo governo. No entanto, especialistas dizem que pode levar meses para que comparações entre países possam ser feitas.

Após pesquisa e críticas, mudança de curso
Segundo a BBC, alguns dizem que o governo do primeiro-ministro Boris Johnson, do Partido Conservador, demorou a responder à crise mesmo depois que a ameaça ao Reino Unido se tornou clara. O Partido Liberal-Democrata pediu uma investigação pública sobre a taxa de mortalidade.
Quando foi questionado sobre isto no passado, o secretário de Relações Exteriores, Dominic Raab disse que os números eram sombrios, mas defendeu o tratamento da crise no Reino Unido, dizendo que o número de mortos seria maior se os ministros não tivessem seguido conselhos científicos e tomado decisões importantes no momento certo.
A estratégia inicial do governo era a mitigação, com o objetivo de não fechar o país. "Mitigação" implica aceitar que não se pode deter o coronavírus e, portanto, diminuir sua propagação e tratar de evitar ao máximo casos de contágio que fariam colapsar o sistema público de saúde. Este era o plano do governo britânico até dia 16 de março.
Enquanto outros países da Europa adotavam medidas duras, como fechamento de escolas, cancelamento de eventos e severas restrições de viagem, o Reino Unido tinha controles relativamente modestos.
Naquele momento, os partidos da oposição expressaram preocupações de que o Reino Unido não estava tomando medidas semelhantes a alguns países da UE e pediram para que o governo revelasse as bases científicas por trás das medidas do Reino Unido para combater o surto.
Mas, o estudo do Imperial College mostrou que se o governo continuasse com o modelo de mitigação, não haveria só enorme quantidade de mortos, mas o sistema de saúde entraria em colapso. Com a estratégia de mitigação do contágio, além das mortes, o problema seria manter o sistema de saúde para os casos que ocorreriam a longo prazo.
"Nossa maior conclusão desse modelo é que a estratégia de mitigação a que o governo britânico estava adotando não é factível porque supõe respaldar-se em um sistema de saúde que se veria superlotado e com capacidade de recuperação abalada", dizia o documento.
Depois disto, Johnson, começou a falar de "supressão", que foi a estratégia utilizada na China e que significa romper a cadeia de contágio com o distanciamento social de toda a população, em vez de "mitigação".
A estratégia nacional em seguida mudou, com restrições mais duras.
Johnson foi diagnosticado com o novo coronavírus no final de março, chegou a ser internado em uma UTI, mas se recuperou.




