A vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL), de 46 anos, está prestes a assumir um dos cargos mais importantes da administração estadual. Escolhida para integrar a chapa de Douglas Ruas (PL), ela deverá ocupar a vice-governadoria do Rio de Janeiro após a retotalização dos votos do primeiro turno, realizada neste sábado (10) pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).
A mudança no resultado ocorreu depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve o indeferimento da candidatura do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), determinando a exclusão dos 274.411 votos recebidos por ele. Com o novo cálculo, Douglas Ruas alcançou 50,88% dos votos válidos, percentual suficiente para vencer a disputa sem a realização de um segundo turno contra Eduardo Paes (PSD).
Com uma trajetória que reúne experiências na moda, na
televisão, no comércio e na política, Fernanda chega à disputa estadual durante
seu primeiro mandato eletivo. Sua atuação parlamentar é marcada pela defesa de
propostas conservadoras e de políticas voltadas às pessoas com deficiência,
especialmente aquelas com transtorno do espectro autista (TEA).

Da carreira artística ao empreendedorismo
Natural de Niterói, Fernanda Anchieta Louback construiu parte de sua trajetória profissional longe dos ambientes partidários. Formada em Educação Física pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), também possui MBA em Controladoria e Finanças pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Antes de ingressar na vida pública, trabalhou como modelo e participou de concursos de beleza. Em 2003, conquistou o título de Miss Rio de Janeiro, representando o município de Nova Friburgo, na Região Serrana, e participou da etapa nacional da competição.
Sua experiência artística incluiu uma passagem pelo programa humorístico Zorra Total, exibido pela TV Globo. Durante aproximadamente dois anos, participou de gravações da atração, inicialmente como figurante, e trabalhou ao lado do humorista Paulo Silvino, falecido em 2017.
Posteriormente, decidiu investir no comércio e abriu uma loja de joias e semijoias no bairro de Icaraí, em Niterói. Foi justamente uma dificuldade enfrentada como empresária que, conforme relata, contribuiu para despertar seu interesse pela política.
Em 2015, obras de revitalização realizadas pela prefeitura na antiga Rua Coronel Moreira César, atualmente Rua Ator Paulo Gustavo, teriam prejudicado o acesso de consumidores ao estabelecimento. Fernanda atribui às consequências dessas intervenções parte de sua decisão de participar mais diretamente das discussões sobre a administração municipal.
Uma trajetória eleitoral construída em Niterói
A primeira experiência de Fernanda Louback nas urnas ocorreu em 2020, quando disputou uma vaga na Câmara Municipal de Niterói pelo PRTB. Na ocasião, recebeu 247 votos e não conseguiu se eleger.
Dois anos depois, já filiada ao Partido Liberal, candidatou-se a deputada estadual, conquistando 2.650 votos, novamente sem alcançar uma cadeira no Legislativo.
A vitória eleitoral veio em 2024. Com 3.503 votos,
Fernanda conquistou seu primeiro mandato como vereadora de Niterói e passou a
integrar a representação do PL no município.
Sua atuação partidária também inclui a presidência do PL Mulher em Niterói. Politicamente identificada com o campo conservador, mantém proximidade com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e participou das campanhas presidenciais de Jair Bolsonaro em 2018 e 2022.

Defesa da inclusão e posicionamentos conservadores
A experiência familiar ocupa espaço relevante na atuação pública de Fernanda Louback. Mãe de dois filhos com autismo, ela utiliza sua vivência para abordar dificuldades enfrentadas por pessoas neurodivergentes e seus familiares, especialmente no acesso a serviços públicos e políticas de inclusão.
Na Câmara Municipal, preside a Comissão da Pessoa com Deficiência e participa de discussões relacionadas à acessibilidade, aos direitos das pessoas com deficiência e à assistência às famílias de pacientes com doenças raras.
Paralelamente, defende propostas relacionadas à família, à segurança pública, à liberdade de expressão e à propriedade privada, alinhadas ao posicionamento conservador que caracteriza sua atuação parlamentar.
Entre suas iniciativas está a chamada Lei Anti-Oruam, voltada à restrição do uso de recursos municipais na contratação de artistas para eventos destinados ao público infantojuvenil quando houver apologia ao crime organizado ou ao consumo de drogas.
A parlamentar também se manifestou contrariamente à realização de um show da cantora Ludmilla no Réveillon de Niterói, alegando possível incompatibilidade da apresentação com a legislação.
Seus posicionamentos provocaram embates no Legislativo municipal. Um dos episódios de maior repercussão ocorreu durante a discussão sobre a concessão do título de cidadã niteroiense a Ludmilla.
Na ocasião, Fernanda entrou em confronto verbal com a vereadora Benny Briolly (PSOL), autora da homenagem, ao fazer declarações sobre discriminação racial e comentários referentes à aparência da parlamentar. As manifestações geraram reações entre integrantes da Câmara.
A vereadora também já se posicionou contra a instalação de banheiros neutros em espaços públicos e defendeu a internação compulsória de pessoas em situação de rua com dependência química.
Como surgiu o convite para a vice-governadoria
A participação de Fernanda Louback na chapa de Douglas Ruas foi definida durante a reorganização das alianças partidárias para a eleição estadual.
Inicialmente, a vaga de vice era negociada com o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa, do Progressistas. Com a saída de Lisboa das articulações e o afastamento da federação formada por União Brasil e PP da composição eleitoral, o PL optou por apresentar uma chapa integrada exclusivamente por representantes do partido.
Fernanda, que considerava uma nova candidatura à Assembleia Legislativa, passou então a integrar a disputa pelo Executivo estadual.
Com a retotalização dos votos determinada pela Justiça Eleitoral, a vereadora de Niterói passou a compor a chapa apontada como vencedora do primeiro turno das eleições para o governo fluminense.
Com o resultado definitivamente homologado, ela deixa o Legislativo municipal para assumir a vice-governadoria do Rio de Janeiro, dando continuidade à sua trajetória política agora em uma função de abrangência estadual.




