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Corpus Christi estreia como feriado estadual no Rio e leva tradição dos tapetes às ruas fluminenses

Lei nº 11.002/2025 inclui oficialmente a data no calendário do Estado; celebrações unem fé, arte popular, memória afetiva e participação comunitária em várias cidades do Rio

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Corpus Christi estreia como feriado estadual no Rio e leva tradição dos tapetes às ruas fluminenses

Pela primeira vez, o Estado do Rio de Janeiro celebra Corpus Christi como feriado estadual. A mudança passou a valer com a Lei nº 11.002, de 22 de outubro de 2025, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e sancionada pelo Governo do Estado. A norma institui a data como feriado em todo o território fluminense, sempre na primeira quinta-feira após decorridos 60 dias do Domingo de Páscoa. Em 2026, a celebração acontece nesta quinta-feira, 4 de junho.

Com a nova legislação, o Rio de Janeiro tornou-se o primeiro estado brasileiro a oficializar Corpus Christi como feriado estadual, segundo a Alerj. Até então, a data era tratada, em grande parte do país, como ponto facultativo ou dependia de definição por leis municipais e atos administrativos locais. A mudança confere novo status a uma das manifestações religiosas e culturais mais tradicionais do calendário católico. Para além da celebração litúrgica, Corpus Christi mobiliza comunidades inteiras na confecção dos tapetes que ornamentam ruas e praças por onde passa a procissão do Santíssimo Sacramento.

A tradição dos tapetes tem origem portuguesa e chegou ao Brasil no período colonial. Feitos com sal, serragem colorida, flores, areia, pó de café e outros materiais, os desenhos formam imagens, símbolos e mensagens ligadas à Eucaristia. A montagem costuma atravessar a madrugada e reúne famílias, grupos pastorais, escolas, voluntários e moradores.

Corpus Christi, expressão em latim que significa “Corpo de Cristo”, é a solenidade dedicada ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Na tradição católica, a data convida os fiéis à participação na missa, à adoração e à procissão pública. Para o padre Nelson Antonio Linhares, reitor da Igreja Santa Cruz, a celebração é uma oportunidade de “renovar a fé” e “celebrar a vida em comunhão”.

Entre os principais destaques do estado está São Gonçalo, na Região Metropolitana, reconhecida por abrigar uma das maiores celebrações de Corpus Christi do país. O município prepara, tradicionalmente, um extenso conjunto de tapetes de sal, considerado um dos maiores da América Latina, atraindo milhares de fiéis e visitantes. Para 2026, a programação prevê a confecção de mais de 200 tapetes ao longo do percurso da procissão.

São Gonçalo (Foto divulgação)
São Gonçalo (Foto divulgação)

Em Araruama, na Região dos Lagos, a tradição também ganha força com tapetes que chegam a aproximadamente 1,4 quilômetro de extensão. A montagem envolve paróquias, escolas, comerciantes, grupos culturais e moradores, transformando a preparação em um grande mutirão comunitário.

Niterói (Foto divulgação)
Niterói (Foto divulgação)

Niterói preserva a celebração como herança transmitida entre gerações. Em diversos bairros, famílias participam da confecção dos tapetes há décadas, mantendo viva uma prática que combina religiosidade, memória familiar e identidade local. Neste ano, os voluntários devem utilizar cerca de 20 toneladas de sal, além de serragem, pó de café e xadrez para compor os desenhos.

Petrópolis (Foto divulgação)
Petrópolis (Foto divulgação)

Na Região Serrana, Petrópolis une fé, história e turismo. Os tapetes ganham destaque nas ruas cercadas por casarões, igrejas centenárias e referências arquitetônicas da Cidade Imperial. A celebração reúne paróquias e moradores em um trabalho coletivo que transforma o espaço urbano em cenário de devoção.

Paraty (Foto divulgação)
Paraty (Foto divulgação)

Em Paraty, na Costa Verde, a procissão ganha contornos especiais no Centro Histórico. As ruas de pedra e a arquitetura colonial dão moldura a uma das celebrações mais simbólicas do estado, em que os tapetes se tornam obras efêmeras de arte popular, desmontadas pela própria passagem da procissão.

Embora esteja em vigor, a lei estadual que criou o feriado é alvo de questionamento no Supremo Tribunal Federal por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade 7898, apresentada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Até decisão definitiva, a norma segue compondo o calendário estadual.

A oficialização de Corpus Christi como feriado estadual reforça o reconhecimento de uma tradição que ultrapassa o aspecto religioso. A data reúne arte popular, participação comunitária, turismo, memória coletiva e pertencimento. Em 2026, pela primeira vez, esse patrimônio cultural e espiritual é celebrado no Rio de Janeiro sob a condição de feriado oficial, desenhando nas ruas fluminenses uma expressão viva de fé, história e identidade.

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