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Miguel Pereira inaugura sua Academia de Letras e empossa os primeiros imortais em solenidade no feriado de Tiradentes | Jornal Em Destaque por João Costa em Arte e Cultura

Miguel Pereira inaugura sua Academia de Letras e empossa os primeiros imortais em solenidade no feriado de Tiradentes

Cerimônia realizada durante o Viradão Cultural 2026 reuniu nomes da literatura, da educação, do direito e da comunicação; entre os empossados está Hélio de Carvalho, fundador do Jornal Em Destaque, na cadeira de Lima Barreto



Miguel Pereira inaugura sua Academia de Letras e empossa os primeiros imortais em solenidade no feriado de Tiradentes Classificação

Postado há 3 meses | Miguel Pereira | Arte e Cultura |

João Costa

No feriado de Tiradentes, em 21 de abril, Miguel Pereira oficializou a inauguração de sua Academia de Letras, em uma cerimônia que marcou a posse dos primeiros imortais da instituição. Realizado no contexto do Viradão Cultural 2026, o ato dá ao município um novo marco em sua vida cultural e o aproxima de uma tradição brasileira que compreende as academias de letras como espaços de cultivo da língua, da literatura e da memória intelectual.


O Jornalista Helio de Carvalho e sua esposa, Pedagoga e Historiadora Valeria Cardoso (Foto divulgação) O Jornalista Helio de Carvalho e sua esposa, Pedagoga e Historiadora Valeria Cardoso (Foto divulgação)

Entre os empossados, a solenidade teve significado especial para o jornalismo local com a entrada de Hélio de Carvalho, jornalista, escritor, secretário municipal de Comunicação Social e fundador do Jornal Em Destaque, que passou a ocupar a cadeira Afonso Henrique de Lima Barreto. A presença de Hélio na formação inaugural da academia confere ao momento um peso simbólico evidente: reconhece, ao mesmo tempo, a força da produção literária e a contribuição do jornalismo para a preservação da história, do pensamento e da identidade de uma cidade.

Receber esta honraria na Academia de Letras de Miguel Pereira, ocupando a cadeira de Lima Barreto, é um momento de profunda emoção e de grande responsabilidade. Uma academia não existe apenas para celebrar nomes, mas para fortalecer a cultura, estimular a leitura, valorizar os escritores e preservar a memória de uma cidade. Cumprimento o Marcos Magalhães pela iniciativa e visão, e parabenizo todos os envolvidos por transformarem esse sonho dele em realidade. Miguel Pereira ganha, a partir de agora, um espaço que pode produzir legado, formar consciência cultural e inspirar novas vocações. Meu agradecimento especial vai para minha esposa, Valeria Cardoso, por eu ter absoluta certeza de que é a força dela que me impulsiona na vida, em tudo que faço”, disse o jornalista fundador do Jornal Em Destaque e Imortal Helio de Carvalho.


Os Imortais da Academia Miguelense de Letras (Foto divulgação) Os Imortais da Academia Miguelense de Letras (Foto divulgação)

Tendo como Cerimonialista a Historiadora Regina Pimental, como Madrinha a Professora Damionet e Direção da Cláudia Machado, também foram empossados Marcos Magalhães, advogado, professor e escritor, na cadeira Joaquim Maria Machado de Assis; Adriana da Conceição, bacharel em Direito e escritora, na cadeira Rachel de Queiroz; Claudia Motta, professora, roteirista e escritora, na cadeira Chaya Pinkhasovna Lispector, a Clarice Lispector; Luiz Alexandre Pessanha, professor e escritor, na cadeira Carlos Drummond de Andrade; Leo Souto, professor, ator, escritor e turismólogo, na cadeira Ariano Vilar Suassuna; Alexandre Rodrigues Alberigi, professor e escritor, na cadeira João Guimarães Rosa; Dr. Dione Caruzo, escritor, teólogo e estudioso da administração pública e da docência no ensino superior, na cadeira Dr. Manuel Vieira Muniz; e Samuel Maia Santos, escritor, ambientalista e mestre em História, na cadeira José de Souza Saramago.


A madrinha Professora Damionet, a Historiadora Regina Pimentel e a Coordenadora Claudia Machado (Foto divulgação) A madrinha Professora Damionet, a Historiadora Regina Pimentel e a Coordenadora Claudia Machado (Foto divulgação)

A composição inicial da academia revela uma escolha que combina raízes nacionais e amplitude de repertório. Ao reunir patronos como Machado de Assis, Rachel de Queiroz, Drummond, Ariano Suassuna, Guimarães Rosa, Lima Barreto e Clarice Lispector, a nova casa literária se ancora em alguns dos nomes mais decisivos da formação cultural brasileira. Ao incluir José Saramago, amplia também seu horizonte lusófono: o escritor português recebeu o Prêmio Camões em 1995, distinção criada para consagrar autores que enriqueceram o patrimônio literário da língua portuguesa, e conquistou o Nobel de Literatura em 1998.

Mais do que um rito de distinção, a inauguração da Academia de Letras de Miguel Pereira sinaliza a possibilidade de uma agenda permanente de valorização da leitura, da escrita, da reflexão crítica e da memória local. Numa cidade que vem ampliando sua presença no cenário cultural fluminense, a criação de uma instituição desse porte representa um gesto de maturidade: o de compreender que desenvolvimento também passa pela palavra, pelo livro, pelo pensamento e pelo reconhecimento público daqueles que ajudam a narrar o tempo em que vivem.


Helio de Carvalho e Marcos Magalhães (Foto divulgação) Helio de Carvalho e Marcos Magalhães (Foto divulgação)

A iniciativa, que teve em Marcos Magalhães uma de suas forças articuladoras, nasce cercada de significado. Ao reunir perfis vindos da educação, do direito, da literatura, da comunicação e da produção cultural, a academia se apresenta desde o início como um espaço de convergência. E é precisamente essa convergência que pode transformá-la, com o tempo, em referência para novas gerações de leitores, autores, pesquisadores e defensores da vida intelectual do município.

No Brasil, as academias de letras seguem uma tradição institucional consolidada pela Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897 com o objetivo de cultivar a língua e a literatura nacional. Inspirada no modelo da Academia Francesa, a ABL se organiza em cadeiras, patronos e membros efetivos e perpétuos, estrutura que ajudou a popularizar a ideia dos “imortais” no imaginário brasileiro. Além do valor simbólico, esse tipo de instituição cumpre funções concretas de preservação do idioma, difusão de obras, produção de acervo e promoção da vida cultural. Quando um município cria sua academia, portanto, não inaugura apenas uma entidade honorífica: inaugura um espaço permanente de memória, identidade e continuidade intelectual.

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