OPINIÃO
Com as recentes manifestações populares contra as medidas do governo Bolsonaro na área da Educação e, de carona, na Previdência Social, me chamaram a atenção alguns cartazes empunhados e clicados por certas agências de notícias. Em defesa de uma educação de qualidade, alguns manifestantes reivindicaram por Mais educação e menos armas!. Ora, qual a relação que a possibilidade de um cidadão de bem poder portar arma tem com a Educação ser de qualidade ou não? pergunto.
Não vi - não disse que não havia - nada do tipo, Mais educação, menos corrupção, por exemplo.
Sou um dos 63,94% dos brasileiros que votaram contra o desarmamento, no plebiscito de outubro de 2005, e defendi esta posição em trabalhos acadêmicos na Universidade da Cidade, onde fiz jornalismo. Posso entender as opiniões contrárias à minha, assim como, claro, a dos outros 59.109.264 que votaram Não comigo, no referendo, mas confesso não entender essa relação Educação-Desarmamento.
É notório que a grande imprensa brasileira tomou partido em favor do desarmamento, o que não teria qualquer problema ético ou moral para um veículo de informação e notícia, não fosse o uso de distorções da realidade e de estatísticas inverídicas para convencer a população de que desarmar seria a solução para os altos índices de criminalidade. Exemplo disto foram as publicações no Brasil sobre a lei de desarmamento na Inglaterra, em 1997, que praticamente baniu o uso de armas de fogo naquele país. As matérias explicitavam o sucesso da lei, apresentando quedas significativas no número de homicídios por arma de fogo na terra da rainha Elizabeth e apontando o ato como um exemplo a ser seguido. Na verdade, a Inglaterra nunca teve grandes problemas com crimes contra a pessoa, entre eles os homicídios. Isto está claramente exposto no livro Violência e Armas: A experiência inglesa, da historiadora Joyce Lee Malcolm. Veja um trecho do livro:
Os registros históricos ingleses revelam um padrão constante, no qual os crimes contra a propriedade são muito mais comuns do que os crimes contra pessoas. E virtualmente todos os historiadores concordam que os crimes contra às pessoas, especialmente o homicídio, declinaram na Inglaterra desde a Idade Média até o nosso século.
Mas, o pior estava por vir. O gráfico abaixo mostra que o crime de homicídio continuou em crescimento por sete anos após o banimento das armas, iniciando sua queda somente a partir de 2004. Mas isto não duraria muito: entre 2016 e 2017, de acordo com dados oficiais do Governo Britânico, ocorreu um assustador crescimento de 25% nos assassinatos.
[ver gráfico no final da matéria]
Se levarmos em conta os crimes violentos, entre eles os homicídios, tentativas de homicídios, agressões, roubos e estupros, já em 2009 o jornal The Telegrafh anunciava o Reino Unido como o país mais violento de toda a Europa e, em abril do ano passado, Londres teria mais homicídios que Nova Iorque. Ora, se as armas de fogo foram banidas e as taxas continuaram assim, o que aconteceu? A resposta não é simples, e nunca será. O reducionismo ao "armas" ou "não armas", não pode ser aplicado para se resolver uma questão tão complexa quanto a criminalidade, nem lá nem aqui no Brasil.
Voltando a falar sobre a relação Educação-Desarmamento, nos últimos levantamentos sobre a qualidade na Educação, feitos por organismos internacionais, o Brasil ocupa os lugares mais medíocres nos rankings, atrás de países como Panamá, Equador, México e alguns países da África, e muito mais distante ainda dos Estados Unidos, país cuja Constituição reconhece o direito a qualquer indivíduo de ter, usar e transportar armas. 14 Estados norte-americanos permitem o uso de armas em público.
Não sou apenas a favor do armamento; também sou favorável à Educação de qualidade, obviamente. E, sinceramente, não encontro qualquer relação entre eles, de modo a considerar que para se ter boa Educação se faça necessário impor o desarmamento ao cidadão.





