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Não adianta explicar quando o outro está decidido a não entender | Jornal Em Destaque por Helio de Carvalho em Colunista


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Não adianta explicar quando o outro está decidido a não entender



Não adianta explicar quando o outro está decidido a não entender Classificação

Postado há 1 ano(s) | Miguel Pereira | Colunista |

Helio de Carvalho

Vivemos uma era de paradoxos. Nunca tivemos tanto acesso à informação, mas, paradoxalmente, parece que nunca estivemos tão desinformados. A imprensa, que durante décadas foi a guardiã dos fatos e da verdade, vê-se hoje diante de um desafio inglório: comunicar-se com um público que, muitas vezes, já não quer compreender, mas apenas confirmar suas próprias convicções.

O ofício jornalístico, nobre em sua essência, exige um compromisso inarredável com a verdade. No entanto, a verdade tornou-se um conceito fluido, muitas vezes submetido aos caprichos de percepções pessoais e ideológicas. A imprensa séria, alicerçada em princípios éticos e na verificação meticulosa dos fatos, enfrenta a árdua tarefa de romper a bolha de desinformação que se alastra como um vírus silencioso e pernicioso. A era da pós-verdade, onde "fatos alternativos" competem com a realidade objetiva, coloca em xeque a própria razão de ser do jornalismo.

A necessidade de estar certo, de confirmar preconceitos e narrativas preestabelecidas, suplantou o saudável exercício do questionamento. Tal postura é não apenas um desserviço à verdade, mas também um obstáculo intransponível para a construção de uma sociedade mais justa e equânime. Quando o diálogo é substituído pela retórica inflamada e polarizadora, o tecido social se esgarça, abrindo brechas perigosas para o crescimento do discurso de ódio e das fake news -  fenômeno que se tornou um câncer que corrói as bases da democracia. Informação falsa, disfarçada de verdade, espalha-se rapidamente, alimentada por algoritmos que privilegiam o sensacionalismo e a confirmação de vieses. O resultado é um público cativo de meias-verdades e mentiras deslavadas, incapaz de discernir entre o real e o fictício. Esta é uma situação alarmante, pois uma democracia robusta exige cidadãos bem-informados, capazes de tomar decisões ponderadas e conscientes.

A polarização de ideias, exacerbada pelas redes sociais, contribui para um cenário onde o diálogo se torna praticamente inviável. Em vez de debates construtivos, assistimos a embates destrutivos, onde o objetivo não é encontrar um ponto comum, mas esmagar o oponente. Neste ambiente, a imprensa é frequentemente vilipendiada e acusada de parcialidade, mesmo quando apenas cumpre seu papel fundamental de informar. A desconfiança na mídia é fomentada por aqueles que, movidos por interesses escusos, desejam ver a verdade suprimida.

É imperativo lembrar que a imprensa desempenha um papel crucial na formação da opinião pública. A divulgação de fatos verificados, a contextualização de eventos e a análise crítica são pilares de um jornalismo comprometido com a verdade e a democracia. Quando este papel é minado pela recusa em compreender, pela decisão prévia de não aceitar aquilo que não corrobora com crenças pessoais, a sociedade como um todo sai perdendo.

Combater a desinformação e o discurso de ódio é uma tarefa hercúlea, mas absolutamente necessária. Impõe-se à imprensa a missão de perseverar, de continuar elucidando fatos, de manter-se firme na busca pela verdade. Porém, esta não é uma batalha que a imprensa possa travar sozinha. A sociedade deve reaver seu compromisso com o diálogo, com o questionamento saudável e com a busca por um entendimento genuíno.

A verdade é uma luz que deve guiar nossos passos em meio à escuridão da ignorância e do preconceito. Quando nos fechamos ao diálogo, quando nos recusamos a entender, não apenas nos afastamos desta luz, mas também comprometemos o futuro de uma sociedade justa e democrática. A imprensa continuará iluminando a verdade, mas cabe a cada um de nós a responsabilidade de abrir os olhos e a mente para enxergá-la.









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