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Um voto de fé | Jornal Em Destaque por Dr. Guilherme Galvão Lopes em Colunista


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Um voto de fé



Um voto de fé Classificação

Postado há 1 mes | Rio de Janeiro | Colunista |

Dr. Guilherme Galvão Lopes

O Censo de 2010 apontou que os evangélicos representavam 22% da população brasileira. Os dados sobre religião do último Censo, realizado em 2022, ainda não foram divulgados, mas as projeções do especialista José Eustáquio Diniz Alves apontam que, em 2020, quase 32% dos brasileiros professariam a fé evangélica, e entre 2030 e 2040, eles chegariam a quase 40% da população - ultrapassando o decrescente quantitativo de católicos em alguns décimos.

Presentes no Brasil desde o século XVI, os evangélicos experimentaram importante crescimento quantitativo a partir da década de 1980, chegando a quase 50%. Em uma sociedade cultural e historicamente católica, o segmento protestante, sobretudo pentecostal, buscou no ambiente político uma alternativa para sua afirmação enquanto grupo emergente.

Seu primeiro parlamentar federal, o pastor metodista Guaracy Silveira, era o solitário representante evangélico na Câmara dos Deputados na década de 1930. Cerca de 80 anos depois, nas eleições de 2018, os evangélicos ultrapassaram o quantitativo de 100 cadeiras no Congresso Nacional, entre deputados federais e senadores. No Supremo Tribunal Federal, composto por 11 ministros, há um presbiteriano, o pastor André Mendonça.

No Rio de Janeiro em específico, passaram pelo Palácio Guanabara os evangélicos Anthony Garotinho, Benedita da Silva e Rosinha Garotinho. Dois dos últimos senadores eleitos pelo estado, Flávio Bolsonaro e Arolde de Oliveira, professavam a mesma fé. Na capital, Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal, foi eleito no 2º turno de 2016 com quase 60% dos votos.

Embora um pouco frios, alguns destes números demonstram a importância que o eleitorado evangélico conquistou nas últimas décadas. Se antes eram rejeitados por sua enorme fragmentação e perfil social, hoje são disputados por sua enorme capacidade de engajamento, pelo poder de disseminação de informações e por sua disciplina - tanto por políticos de direita, quanto pelos de esquerda.

Nas eleições de 2018 e 2022, os evangélicos figuraram como principal base social de Jair Bolsonaro, quando chegou a atingir 62% de intenções de voto no grupo. Hoje, com Luiz Inácio Lula da Silva na presidência, o segmento tornou-se um desafio à popularidade do governo petista: em dezembro de 2023, 52% dos fiéis protestantes consideravam Lula pior que Bolsonaro, segundo o PoderData.

Apesar da atual hegemonia conservadora, é preciso ressaltar que os evangélicos configuram enormes grupos heterogêneos, e existem eleitores ideologicamente próximos da esquerda em vários aspectos, desde os econômicos até mesmo aos morais e comportamentais. Estes, inclusive, não são o único tema: pautas estruturais, como as econômicas, importam muito, pois evangélico trabalha, consome, come, adoece e envelhece, como qualquer outro grupo.

É imprescindível se despir dos preconceitos acerca dos evangélicos, deixando de olhá-los apenas como eleitores espontâneos diante de temas comportamentais. Seu ativismo político também é motivado por questões doutrinárias e dogmáticas muitas vezes incompreensíveis para quem está de fora, não sendo necessariamente guiado pelo pragmatismo inerente ao processo eleitoral. O voto guiado pela fé é complexo, profundo e - paradoxalmente - racional, sendo a presença cotidiana um fator preponderante.

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