Carlinhos de Jesus
faz uma análise do Carnaval 2023 e fala sobre o evento Dançando a Bordo
Carlinhos de Jesus é
dançarino, coreógrafo e vive da música há mais de 30 anos. Em 1991, Carlinhos
foi o único dançarino popular com participação especial no Rock in Rio
naquele ano e, é o padrinho do evento Dançando a Bordo.
Para fazer uma avaliação sobre o carnaval
2023, falar dos seus projetos e perspectivas, que eu entrevistei com
exclusividade, Carlinhos de Jesus.
Carlinhos, qual a
sua análise sobre o desfile das escolas de samba do Rio de janeiro e São Paulo
nesse momento de pós-pandemia?
R: A
folia 2023 atendeu plenamente à expectativa em relação a ausência dos desfiles
durante a pandemia. O povo estava sedento e a energia deste retorno foi total.
O Rio de Janeiro presenteou os foliões com a nova iluminação da passarela do
samba e o público respondeu lotando a Sapucaí. Em São Paulo também o Sambódromo
e as ruas lotaram.
Quais os aspectos que você considera que teve
evolução e que ainda precisam melhorar?
R: Evolução
foi a iluminação artística da Marques de Sapucaí, ficou maravilhosa, permitindo
que cada Escola apresentasse o seu plano de luz. O que precisa melhorar é a
segurança dos carros alegóricos.
Qual a sua avaliação sobre a vitória da
Imperatriz Leopoldinense e do trabalho que o Marcelo Misailidis fez com a
Comissão de Frente contando a história de Lampião, rei do cangaço?
R: Sou fã de carteirinha do Leandro Vieira e do Marcelo Misailidis,
muito talento, capacidade de improvisação e história no Carnaval. São dois
vencedores. Aplaudo de pé e tiro o meu chapéu. A Imperatriz mereceu o título
com o enredo espetacular: "O aperreio do cabra que o excomungado tratou
com má-querença e o santíssimo não deu guarida" com o embate de Lampião,
Satanás e São Pedro e a comissão de frente inspirada na literatura de cordel
que explorou a vida e a morte do cangaceiro concebida de forma poética: Lampião
morre e vai ao inferno, mas não é aceito porque cria muita confusão, então vai
ao céu e lá não pode ficar pois têm muitas mortes nas costas, e então volta ao
sertão onde vive vagando. MUITO BOM!! A IMPERATRIZ mereceu voltar ao Grupo
Especial. Outro toque de mestre foi trazer a filha de Lampião e Maria Bonita:
Expedita Ferreira da Silva, para o desfile.
Qual a sua avalição
sobre os blocos de carnavais que ocorreram pelo Brasil afora?
R: O Carnaval de Rua de 2023 foi
espetacular!! Tenho um Bloco de carnaval no Rio de Janeiro, BLOCO CARNAVALESCO 2
PRA LÁ 2 PRA CÁ, que desfila aos sábados de carnaval há 32 anos. Neste período só deixamos de desfilar na
pandemia. Foram 3 anos de vazio no meu peito, pois amo o carnaval e sou cria
dos blocos de rua onde desfilo desde os 8 anos de idade. Este ano as exigências
foram mais rigorosas, tivemos que atender a todas as determinações do corpo de
bombeiros, engenharia de tráfego, vigilância sanitária, segurança e ambulância.
Enfim, cuidados que fizeram com que o carnaval de rua de 2023 fosse um exemplo
de civilidade e organização.
- O folião contava com banheiros químicos
espalhados pelo roteiro dos blocos, os vendedores ambulantes eram cadastrados e
treinados, a COMLURB (Companhia Municipal de Limpeza Urbana do RJ) passava
todo o tempo limpando as ruas e avenidas, os garis com carros pipas
higienizando a cidade. O carnaval desse ano foi o mais limpo dos últimos
tempos. A CET-RIO (Companhia de Engenharia de Tráfego do RJ), atuou de
forma rigorosa fiscalizando ativamente o trajeto dos blocos.
O que mais te impactou no olhar das pessoas
que ficaram impossibilitadas de participar e fazer o carnaval por 3 anos?
R: A
ausência do carnaval não só nos privou da alegria, como também trouxe impactos
intensos para a economia do Brasil, em especial, para os setores de eventos e
turismo. O carnaval tem uma cadeia produtiva enorme, são milhares de pessoas
que vivem do carnaval o ano inteiro, são costureiras, aderecistas, artesões,
ferreiros, carpinteiros, artistas da dança e da música que ficaram desamparados
com a impossibilidade de fazer a festa de Momo. Estas pessoas viviam de doações
e de campanhas para terem a cesta básica.
Você tinha um sonho de fazer o cruzeiro
Dançado a Bordo? Qual é a sua sensação em ver esse sonho se tornar realidade?
Em quais dias ele acontecerá?
R: Sou
Padrinho do evento: DANÇANDO A BORDO e participo desde a sua inauguração
há 18 anos. Este evento só não aconteceu em 2020 e 2021. O Dançando a Bordo é
uma grande festa de dança de salão, onde as pessoas de todo o Brasil se reúne
para se divertirem em alto-mar. Este cruzeiro já é conhecido como o maior e
mais respeitado evento de dança de salão do país. São aulas, bailes, palestras,
festas temáticas, shows e oficinas de dança durante toda a semana de percurso
pela costa brasileira. Neste ano o período será de 12 a 19 de março de 2023. Para
mais informações sobre o evento acesse aqui.
Como as pessoas poderão acompanhar essa sua
experiência em alto mar e o que elas podem esperar?
R: Neste
ano farei um TALK SHOW com Ana
Botafogo, onde falaremos sobre os benefícios da dança na vida das
pessoas e também teremos um baile de comemoração aos meus 70 anos. Será
bastante divertido...
Qual a sua
perspectiva para o Carnaval de 2024?
R: Em
2024 se Deus quiser voltaremos com o BLOCO CARNAVALESCO 2 PRA LÁ 2 PRA CÁ,
que já é um marco no carnaval do Rio de Janeiro, já que ele reúne várias
gerações de famílias e turistas nacionais assíduos ao bloco. Desde este ano sou
contratado como comentarista do Carnaval Globeleza de Belo Horizonte MG, uma
experiência nova que me estimula muito. Já me aposentei do trabalho artístico
na avenida, mas quero morrer trabalhando com o carnaval.




