Quando
a gente pensa no muito que o poder público tem por fazer para atender, ao
menos, um pouco das grandes necessidades que o povo tem, não adianta tentar
fazer valer apenas o real papel de um vereador, ou seja: elaborar as leis
municipais e fiscalizar a atuação do Executivo no caso, o prefeito. Sabemos
que são os vereadores que propõem, discutem e aprovam as leis a serem aplicadas
no município. Entre essas leis, está a Lei Orçamentária Anual, que define em
que deverão ser aplicados os recursos provenientes dos impostos pagos pelos cidadãos.
Também é dever do vereador acompanhar as ações do Executivo, verificando se
estão sendo cumpridas as metas de governo e se estão sendo atendidas as normas
legais. Mas, na prática, o vereador que se limitar a isto jamais conseguirá a
admiração e o respeito do povo e, consequentemente, a sua reeleição.
Originário
do grego antigo, o vocábulo vereador vem da palavra verea, que
significa vereda, caminho. O vereador, portanto, seria o que vereia, trilha, ou
orienta os caminhos. Existe no idioma brasileiro o verbo verear, que é o ato de
exercer o cargo e as funções de vereador. Resumindo, o vereador é a ligação
entre o governo e o povo. Sim, e o povo! Ele tem o poder de ouvir o que
os eleitores querem, propor e aprovar esses pedidos na câmara municipal e
fiscalizar se o prefeito e seus secretários estão colocando essas demandas em
prática. E é assim, e muito mais, que o vereador do município de São João de
Meriti (RJ), João da Padaria, chegou ao seu quarto mandato e foi vice-prefeito
desta que é uma das cidades mais populosas e importantes do estado do Rio de
Janeiro.
O
ED conversou com ele: o vereador João da Padaria é o nosso Destaque!

Se
o poder sobe à cabeça de muita gente, o mesmo não acontece nem nunca aconteceu
com o João da Padaria, há 18 anos na vida pública. Não é preciso ser próximo
a ele para constatar o seu jeito simples de ser. Sua simplicidade também é
notada na forma dele tratar os assuntos mais delicados. O que faz dele um
verdadeiro diplomata e, por que não dizer, legítimo representante do povo! Legítimo
não apenas por possuir um diploma de vereador, legitimado pelo voto popular,
nas urnas. Mas, sim, por não dar as costas para quem o elegeu, bem como a todos
os cidadãos e cidadãs de seu município.
João
da Padaria nos contou que quando foi eleito vereador, ele nunca havia pisado na
Câmara Municipal, e sequer sabia da necessidade de se usar terno nas sessões!
Seu
nome foi uma indicação - alheia à sua vontade - de pessoas preocupadas com o
bairro onde viviam. Na ocasião, os moradores de Venda Velha fizeram uma espécie
de plebiscito com o objetivo de se chegar a um nome que todos apoiassem e,
assim, tivessem um representante na Câmara. O nome de João foi unânime e ele
aceitou o desafio. Em 2003 sua candidatura foi lançada e em 2004 foi eleito com
3.250 votos. Em dois anos ocupou a presidência da Câmara e na eleição seguinte,
se reelegeu com 5.600 votos.

Quando
entrei na Câmara Municipal pela primeira vez, foi na condição de vereador. Tudo
era novo e desconhecido para mim. Dois anos depois, fui eleito presidente da
Casa. Tive que me empenhar muito, estudar muito para dar conta das minhas
atribuições e, principalmente, para não decepcionar quem acreditou em mim, disse João da
Padaria.
A
CRISE
João
relatou que ao se eleger, a expectativa das pessoas que votaram nele era tanta,
que elas o encaravam como se ele fosse o prefeito. Afinal, eram muitas as
carências do bairro e, finalmente, os moradores tinham um representante na
Câmara dos Vereadores. O problema é que ele era oposição e o prefeito não
atendia as demandas nem realizava qualquer obra no bairro, com receio de que os
méritos fossem creditados ao João, sua oposição. Logo, aqueles olhares felizes
e esperançosos de seus simpatizantes se converteram em olhares de desconfiança.

Por
várias vezes me perguntei: o que eu estou fazendo aqui. Eu via nos olhares a
dúvida, a desconfiança das pessoas. Era nítido para mim que eles pensavam que
eu era mais um que entrou na política e virou as costas para o povo, afirmou o
vereador. João da Padaria nos revelou que durante este período ele fez várias
reflexões e pensou em renunciar.

Muita
gente age como se o vereador não sentisse dor, angústia, tristeza... Eu senti
tudo isto!,
desabafa.
A
VIRADA
João
nos contou que, certo dia, uma mulher acompanhada de três homens o procurou
dizendo que não votou nele, mas que sempre ouviu falar que ele é uma boa
pessoa. Ela disse estar acompanhada de moradores de sua rua e que todos ali
haviam decidido não esperar mais pelo prefeito, e que iriam fazer uma vaquinha
para concretar a rua, pois seu estado era muito crítico. A senhora perguntou se
João conseguiria uma máquina... Imediatamente, o vereador procurou o secretário
de Obras e explicou a situação. Sabendo da resistência que sofreria por ser
oposição, João disse que o prefeito poderia colocar faixa no local e ficar com
todos os créditos; e foi além: se comprometeu a não ir ao local durante a obra
e disse que poderiam levar todos os vereadores aliados do prefeito, para fotos,
e que ficassem como autores daquele feito. Para encurtar a história, com a iniciativa
dos moradores e ajuda de amigos, João concretou 56 ruas!
João
da Padaria é um apaixonado pela educação. Segundo ele, a população de São João
de Meriti necessita de escolas com qualificação profissional. Eu sempre
lutei por isto, afirma ele.
O
vereador disse ter colocado, no passado, uma propriedade sua à disposição do
estado, por 25 anos sem cobrar nada, para a instalação de uma escola técnica. Ainda
assim, infelizmente, não aconteceu.
João
também contou das dificuldades que o próprio sistema impõe, tornando ainda mais
dificultoso o trabalho de quem busca honrar seu cargo na política, em benefício
da população. Como exemplo, ele citou o censo feito pelo IBGE, que no último
realizado apontou que São João de Meriti tem 450 mil habitantes.

Tenho
absoluta certeza de que o município não tem menos de 700 mil habitantes. E como
os repasses do estado e União são feitos em base a estes dados do IBGE,
defasado desde 2010, o município já é lesado a partir daí. São quase 50% a
menos que nossa cidade deixa de receber para educação, saúde etc., ponderou João da
Padaria.
Ele
também lamentou a situação de o trabalhador meritiense precisar buscar em
outras cidades uma colocação de emprego. João da Padaria insiste na sua tese de
que a escola tem um papel que vai além da educação. Para ele, o ensino em São
João de Meriti precisa ser profissionalizante, de modo a qualificar seus
cidadãos, ampliando suas chances de alcançar melhores empregos e, consequentemente,
maiores salários.
Ao
fim, o vereador João da Padaria disse ter total compreensão das necessidades de
seu município, cujo grande desafio é o de proporcionar bem-estar aos cidadãos e
cidadãs que vivem em uma cidade de grande população, e uma pequena área geográfica.
Para
quem enfrentou tantos desafios impostos pela vida e pela política, é claro que
o que depender do João da Padaria, o meritiense estará sempre bem representado.
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