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Mulher presa por xingar Bolsonaro diz não ter usado a expressão Noivinha do Aristides

Ela afirma que usou xingamento do cotidiano e desconhece tal história do presidente

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Mulher presa por xingar Bolsonaro diz não ter usado a expressão Noivinha do Aristides

Não está nada difícil encontrar um brasileiro que tenha recebido em seu WhatsApp ou lido na Internet a “história” da Noivinha do Aristides. Afinal, a #NoivinhadoAristides é uma das mais compartilhadas nas redes sociais, depois que uma mulher de 40 anos de idade foi presa pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) por xingar o presidente Jair Bolsonaro (PL). Difícil mesmo é descobrir quem começou esta história, afirmando ter sido a tal mulher presa que chamou Jair Bolsonaro de “noivinha...”.

 

O CASO

No último sábado (27), em Resende (RJ), uma mulher foi levada para a Delegacia da Polícia Federal, após ter gritado, de dentro do carro, palavras de baixo calão direcionadas ao presidente, que se encontrava à beira da rodovia Presidente Dutra, com sua comitiva. Bolsonaro foi até a margem da Via Dutra para acenar para motoristas que passavam pela rodovia e cumprimentar os policiais rodoviários federais que atuaram na sua segurança.

 

O presidente esteve na cidade para participar de uma solenidade militar de formatura na AMAN.

 

FAKE NEWS

Quando o caso se tronou público, por meio da grande imprensa, logo se difundiu a Fake News de que a mulher teria gritado que o chefe do Executivo era a “noivinha do Aristides” - um instrutor de judô que teria dado aulas a Bolsonaro durante seu período na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Entretanto, não há evidências sobre isto. O termo ofensivo foi propagado sem nenhuma prova.

FATOS

Apesar da enxurrada da expressão pela Internet, não consta no B.O. a informação sobre o suposto xingamento da mulher. Consta que “por volta das 9h, quando a comitiva presidencial estava na Via Dutra, uma passageira de um carro teria gritado ‘palavras de baixo calão direcionadas ao presidente’".

 

O Jornal Em Destaque conversou, pelo telefone, com o Dr. Luiz Augusto Guimarães da Costa – um dos Advogados da mulher – após ter sido enviada à imprensa uma nota, que foi por ele assinada e pelo Advogado, Dr. Marcello Martins dos Santos.

 

Luiz Augusto disse que sua cliente relatou desconhecer tal “apelido” atribuído a Jair Bolsonaro, que simplesmente se revoltou pela retenção no trânsito ocasionada pelo presidente, atrasando sua viagem à Aparecida do Norte. Leia a Nota, na íntegra:

 

A defesa técnica, constituída pelos advogados Marcello Martins e Luiz Augusto Guimarães, representando os interesses da Sra. Maria (nome fictício), apresenta à imprensa a sua versão dos fatos:

 

Maria estava em viagem com sua família para a cidade de Aparecida, quando viu o Presidente da República acenando para motoristas às margens da rodovia Presidente Dutra. Maria é uma profissional de saúde, e num momento de grave estresse em decorrência do engarrafamento e por tudo o que enfrentou em sua vida profissional durante a pandemia, num momento de desabafo, exclamou a expressão "Filho da Puta"!

 

Maria estava dentro do carro, no banco do carona, e distante do Sr. Presidente da República. Mas policiais rodoviários federais ouviram o que ela disse e a detiveram. Militares foram apontados para servirem como testemunha e ela foi conduzida para prestar depoimento.

 

É importante frisar que a Sra. ‘Maria’ não conhece e nem mencionou qualquer coisa sobre o termo "noivinha do Aristides", conforme vem sendo noticiado por toda a imprensa nacional. Sua expressão de indignação ocorreu de forma espontânea, como ocorre diariamente no País que se encontra severamente polarizado.

 

No momento ela está muito apreensiva e temerosa devido à repercussão do caso, sobretudo porque lhe foram atribuídas palavras que ela nunca mencionou.

 

O processo encontra-se em segredo de Justiça e a defesa técnica já requereu acesso aos autos, aguardando a liberação por parte da Justiça Federal.

 

Luiz Augusto Guimarães da Costa

OAB/RJ 189.130

Marcello Martins dos Santos

OAB/RJ 183.754

 

Afinal, de onde veio essa onda de postagens nas redes sociais atribuindo à “Maria”, a expressão “noivinha do Aristides”? Vai saber... Fato é que não faltou conta no Twitter, no YouTube... – com centenas de milhares de visualizações – atribuindo a ela, tal expressão.

 

O site Catraca Livre, que tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram, publicou em seu site, no dia 29 de novembro, uma matéria intitulada “Por que mulher foi presa ao chamar Bolsonaro de ‘noivinha do Aristides’?”, afirmado que ela xingou o presidente de “noivinha...”.

OPINIÃO

Uma coisa bem curiosa nisto tudo é que até foto dos dois (Bolsonaro e Aristides) foi publicada junto à afirmação não comprovada de que a mulher presa teria usado tal expressão. Estranho, não é mesmo? Ora, segundo vem divulgando a grande imprensa, o termo “noivinha do Aristides” é um apelido que Bolsonaro teria recebido enquanto era militar da ativa do Exército. Como uma cidadã comum, trabalhadora na área da saúde teria uma informação desta que, ao se tornar pública, até fotografia surgiria na velocidade da luz?

 

Quanto a ter xingado o presidente, sabemos que há aí, pela força da Lei, a questão da injúria. Mas, convenhamos: palavrões no Brasil já têm até verbo e são conjugados por quatro de cada cinco brasileiros, segundo o Sacaniation Institute of Florida. Já faz parte do cotidiano! Agora imagine uma “guerreira da saúde”, sabe lá Deus o que ela não passou de sufoco para cumprir sua missão de cuidar das pessoas em um País cujo governo desdenhou da pandemia que matou mais de 600 mil pessoas?! O que os olhos dessa mulher não viram nos últimos anos, em seu local de trabalho, e depois constatar que o seu tempo perdido no trânsito foi causado pelo “garoto propaganda da cloroquina”, dando tchauzinho para caminhoneiro?!

 

Leis à parte, o xingamento dessa mulher passou longe de expressar, com profundidade, um possível sentimento de ódio guardado no peito por uma autoridade que riu dos pacientes sem oxigênio, não deu a devida urgência na compra de imunizantes para evitar tantas mortes, não estimula às pessoas a se vacinarem, a usar máscara... antes, se empenhou em difundir medicamentos cientificamente ineficazes no combate à Covid-19.

 

“Maria”, estava acompanhada de sua irmã e de seus pais idosos, rumo à basílica de N. S. de Aparecida – padroeira do Brasil – em uma viagem religiosa de agradecimento, por ter, ela e sua família, superado todos os desafios enfrentados este ano. Sua viagem foi “interrompida” por um palavrão. Aliás, seria bem interessante se houvesse uma Lei que garantisse ao cidadão xingar um político que provocasse voluntariamente aglomeração, inclusive engarrafamento em rodovias estaduais e federais, em tempos de pandemia. Assim, o cidadão (e a cidadã) poderia liberar sua indignação, seguir seu curso e ninguém seria preso.  

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