Os
desafios diante da alfabetização no Brasil foram potencializados por conta da
pandemia e o distanciamento social. Muitas crianças e adolescentes
interromperam os estudos e a totalidade das escolas permaneceu fechada no
período como medida sanitária.
Entretanto,
a partir deste segundo semestre de 2021, as aulas presenciais estão sendo
retomadas, e com isso, segundo a professora de Pedagogia, da Universidade
Cidade de São Paulo (Unicid), Evelyn Camponucci Cassillo Rosa, surgem as
preocupações de docentes em recuperar a defasagem do ensino, principalmente nos
anos iniciais.
A
especialista explica que a alfabetização é um processo que requer mediação e
intervenção do professor o tempo todo e, com o ensino remoto, isso não foi
possível ser feito.

Na
educação infantil, precisamos trabalhar a consciência fonológica (a consciência
dos sons da língua) com a criança, e fazer um trabalho com muita oralidade,
onde é preciso acompanhar de perto, ajudar e ensinar a criança sobre o sistema
de escrita,
avalia.

Para
Evelyn, as aulas remotas afetaram o desenvolvimento das crianças, pois impactou
todas as áreas do conhecimento que normalmente são trabalhados em sala de aula,
entre elas, a interação e socialização, que são a base para as atividades
concretas com experiências que auxiliam no aprendizado.
Outro
fator relevante, é sobre a interferência de algumas famílias durante os
processos de ensino-aprendizagem, em que os pais acabavam por intervir nas
respostas de seus filhos, por exemplo, fator que dificulta tanto o
desenvolvimento da autonomia da criança, quanto o diagnóstico real da aprendizagem
do aluno. Por outro lado, tivemos também algumas famílias que não se
fizeram presente em vários momentos cruciais para o aprendizado.

Em
sala de aula, essas crianças normalmente trabalham em pares ou em agrupamentos
produtivos, que são pensados previamente pelo professor de acordo com o nível
em que cada aluno está. Tais agrupamentos vão se complementando durante a
alfabetização na interação e troca e vão avançando juntos na hipótese de
escrita. Só por isso já é possível perceber o quanto esse ensino remoto mexeu
no processo de alfabetização, ressalta a pedagoga.
Para
a pedagoga, o isolamento social, por conta da pandemia, acentuou ainda mais a
desigualdade social no Brasil, afetando negativamente os processos de
alfabetização.

Temos
crianças que não tiveram o mínimo de acesso às aulas em casa e acabaram
prejudicadas, além disso, tivemos as que não estavam matriculadas nas escolas e
ficaram ainda mais distantes de usufruir o direito que elas têm. Vale ressaltar
que o Brasil teve um crescimento de mais de 4 milhões de crianças e
adolescentes sem acesso à educação, sendo que 40% desse número são crianças que
estão na faixa etária de 6 a 10 anos, fase de alfabetização e consolidação da
leitura, escrita, fundamentos matemáticos, etc., analisa a
educadora.
Desafios
dos professores na alfabetização
Evelyn
orienta que nesse retorno presencial, as escolas precisam realizar um
planejamento e um trabalho diagnóstico de cada aluno, de forma cuidadosa para
dar andamento no processo de ensino dessas crianças.
A
mentora destaca que antes de qualquer coisa, os professores precisam manter a
calma para não atropelar os processos de recuperação da alfabetização.

A
impressão que a sociedade tem, é que agora os profissionais devem atingir em um
mês, todos os objetivos que foram perdidos em um ano, o que não é bem assim,
visto que as etapas de alfabetização não acontecem de uma hora para outra, e
devem ser feitas individualmente. A partir da análise diagnóstica, será
possível realizar um trabalho intenso com cada aluno, sendo importante muita
leitura e reflexão para aprofundar a alfabetização dessas crianças, argumenta.




