Com
72 medalhas conquistadas nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, sendo 22 de ouro, 20
de prata e 30 de bronze, o Brasil fez história ao alcançar sua melhor colocação
na competição olímpica, terminando na sétima colocação. E no que depender da
Prefeitura de Nova Iguaçu (RJ), o resultado do país nas Paralimpíadas de Paris,
em 2024, tem tudo para ser ainda melhor. Pelo menos quatro atletas paralímpicos
de alto rendimento estão treinando na Vila Olímpica da cidade e têm grandes
chances de conquistar uma vaga para competir na capital francesa.
Márcio Nunes, Leonardo Sabino, Guilherme Cardoso e Adriele de Moraes fazem
parte da equipe de atletismo da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer
(SEMEL), treinada pelo ex-atleta paralímpico iguaçuano Irani Silva Filho.


Márcio
Nunes é morador de Miguel Couto e conquistou a medalha de ouro na prova dos
5.000 metros T46 (amputação abaixo dos cotovelos) nos Jogos Paralímpicos do
Rio. Ele acredita que o trabalho realizado na Vila Olímpica de Nova Iguaçu é
fundamental para o desenvolvimento de futuros campeões.

Antes
eu tinha que ir para o Rio para ter treinos de alto rendimento, mas hoje treino
na minha cidade. Tenho muito orgulho por representar Nova Iguaçu aonde quer que
eu vá,
garante o para-atleta.
Hoje, aos 45 anos de idade, Márcio admite que a idade já começa a interferir na
performance, mas garante se empenhar em busca de uma vaga nos Jogos de Paris.
No entanto, seu grande objetivo hoje é servir de inspiração.


Projeto
Special Olympics
Além do trabalho de alta performance, a Vila Olímpica de Nova Iguaçu conta com
o projeto Special Olympics, uma organização internacional de esportes para
crianças e adultos com deficiência intelectual que ajuda a desenvolver a
autoconfiança, capacidades de relacionamento interpessoal e sentido de
realização. Este trabalho é realizado pelo professor de educação física Jorge
Roberto Morais, diretor de Esportes da Special Olympics.

Não
buscamos o alto rendimento, mas sim o melhor de cada pessoa. Queremos mostrar
que o atletismo pode ajudar a desenvolver o ser humano na questão da saúde, da
qualidade de vida e na inclusão social. Se não formarmos atletas paralímpicos,
trabalharemos para que saiam daqui cidadãos com noção de grupo e inclusão, garante Jorge
Roberto.
Neste quesito, uma das alunas de grande destaque é Bianca Martiliano Cardozo,
de 29 anos. Ela nasceu com deficiência intelectual e baixa visão, mas nada
disso foi capaz de impedir que ela corresse atrás dos seus sonhos, nem mesmo um
médico que disse que ela não seria capaz sequer de andar e falar.

Um
segundo médico tirou meus remédios controlados e disse que eu deveria praticar
esportes e estudar. Minha mãe acreditou em mim desde pequena e me ajudou.
Entrei para o projeto da Vila Olímpica há quatro anos e já evoluí muito.
Participei de uma competição em São Paulo e fiquei em primeiro lugar na corrida
de 100 metros,
conta Bianca, que realizou o sonho de ingressar na faculdade de Dança da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Se um dia eu encontrar o
primeiro médico que me atendeu, eu mostraria meu diploma e diria que ele estava
enganado. Eu fui capaz e realizei meus sonhos. Todos nós somos capazes. Basta
acreditar e correr atrás, conclui Bianca.
Quem quiser participar do projeto Special Olympics deve se inscrever
diretamente na Vila Olímpica de Nova Iguaçu. Basta levar RG, CPF, certidão de
nascimento ou casamento, comprovante de residência, atestado médico e laudo
médico (no caso de PCDs). As atividades acontecem de segunda a sexta-feira. Às
segundas e quintas, os treinos são realizados das 9h às 11:30h e das 14h às 16:30h.
As atividades de terça são sempre no período da manhã. Já às quartas e sextas
os treinamentos acontecem à tarde.




