De acordo
com a assessoria das linhas Amarela e Lilás de metrô de São Paulo, em média, 250 mil pessoas
circularam por dia em cada uma das vias do começo de março ao
final de abril, período em que a campanha da ABE, Quem vê cara, não vê epilepsia, esteve
presente em forma de painéis e vídeo para as TVs dos vagões. O dado contribui
com a análise da Associação Brasileira de Epilepsia sobre os resultados das
ações, com foco em informação sobre o que é a doença e em maior visibilidade
frente ao poder público na luta por direitos.
A campanha Quem vê cara, não vê epilepsia
contou com uma série de intervenções on
e off-line voltadas
para inclusão, representatividade e combate ao preconceito, e foi criada em
comemoração ao Março Roxo, mês de conscientização sobre a doença. O mote foi
escolhido para mostrar que a epilepsia não distingue raça e classe social, e
que não tem relação com capacidade intelectual.

A ideia foi
reforçar que qualquer um pode ter epilepsia e que as crises não escolhem lugar,
por isto, a parceira com linhas movimentadas, onde as pessoas se cruzam, mas
não sabem das histórias umas das outras. Quem passou pelas estações
participantes foi impactado com fatos que derrubam mitos e fake news. O entendimento
da importância de saber como agir corretamente em caso da necessidade de ajudar
alguém que esteja tendo uma crise também é uma mensagem da campanha.
Heder Vieira
tem crises epilépticas desde que nasceu, e que fazem com que ele perca a
consciência e tenha movimentos involuntários. O profissional da área de
Tecnologia da Informação já passou por crises em diferentes lugares públicos e
em diversas situações, pessoas ao redor não souberam como ajudar.

Já
aconteceu no ônibus, em um evento e até na faculdade, como aluno e como
professor. Onde eu avisei sobre a doença, os procedimentos foram executados
corretamente, mas nos locais onde não me conheciam, em geral, as reações foram
de espanto e desinformação. Isso reforça a importância desta campanha, diz.

Os mitos e
preconceitos acabam andando juntos com doença e é por isto que é tão importante
disseminar conhecimento. A epilepsia apareceu na vida da Julia Oliveira quando
ela tinha nove anos de idade, e o fato de a família não ter proximidade com o
assunto, desencadeou situações de medo e tristeza. Até hoje a Bailarina e
Artesã sofre com os impactos da falta de informação na sociedade.

Recentemente
estava saindo com um rapaz e logo no primeiro encontro contei que tinha
epilepsia. Ele demonstrou medo porque já tinha presenciado uma crise de outra
pessoa, e isso o deixou traumatizado. A campanha da ABE trouxe uma paz enorme
para o meu coração. A frase Quem
vê cara, não vê epilepsia é muito verdadeira, porque quando estou
no papel de professora ou sob as luzes do palco, ninguém imagina que tenho a
doença e quem sabe, esquece. Tenho certeza de que diversas pessoas passaram a
conhecer a epilepsia com a campanha, afirma.
Além das
ações no metrô, durante todo o mês de março a ABE divulgou conteúdos nas redes
sociais, relacionados com a campanha e sobre a importância da conscientização
sobre a doença. Prédios importantes em diversas regiões do Brasil também foram
iluminados de roxo ou ganharam intervenções ligadas à campanha, como foi o caso
do JK. O principal monumento modernista de Minas Gerais, projetado por Oscar
Niemeyer, projetou o mote com luzes.
Para a
Presidente da ABE, Maria Alice Susemihl, a campanha foi um sucesso, gerando
muita reflexão. Com os feedbacks
positivos, ela afirma que a associação continuará oferecendo
informações de qualidade, contribuindo para uma sociedade mais inclusiva.

Tenho certeza de que os posts informativos divulgados nas redes sociais, as lives que realizamos e as ações nas linhas de metrô tiveram o poder de mudar a vida de diversas pessoas. Os resultados dessa campanha mostram que estamos no caminho certo, finaliza.
Sobre
Associação Brasileira de Epilepsia
A ABE é uma
Associação sem fins lucrativos que se estabeleceu como organização para
divulgar conhecimentos acerca dos tipos de epilepsia, disposta a promover
a melhora da qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença. Integra
o International Bureau
for Epilepsy e é composta por pessoas que têm epilepsia,
familiares, neurologistas, nutricionistas, advogados, assistentes sociais,
pesquisadores e outros profissionais. Atua formando grupos de autoajuda,
facilitando a reabilitação profissional, lutando pelo fornecimento regular
de medicamentos nos postos de saúde e hospitais públicos, além de
batalhar, incansavelmente, pelo bem-estar das pessoas que convivem com a doença
e pelo fim dos estigmas e preconceitos sociais.




