É comum encontrarmos pessoas que já foram acometidas ou já ouviram falar
da famosa hérnia de disco que ocorre entre os discos intervertebrais da coluna
vertebral, mas a maioria desconhece as hérnias abdominais, que é também uma
patologia de grande ocorrência no Brasil. Segundo estimativas da Sociedade
Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal, o problema afeta de 20% a 25% da
população adulta brasileira. "Uma hérnia abdominal ou hérnia da parede
abdominal consiste numa lesão causada por uma abertura ou região de fragilidade
na parede abdominal, através da qual ocorre uma protrusão do conteúdo abdominal",
explica o cirurgião gastro-robótico Adilon Cardoso Filho (CRM GO 9616).
Como o próprio nome já demonstra, as hérnias abdominais ocorrem na região do
abdômen e próximo à virilha e se dividem em três principais grupos: umbilicais,
inguinais e femorais. A hérnia inguinal, que ocorre na região da virilha, está
entre as doenças que mais afastaram os brasileiros dos postos de trabalho em
2017. Segundo dados da Secretaria da Previdência do Ministério da Fazenda,
foram 42.154 solicitações de auxílios-doença previdenciários em virtude de tal
patologia. Estima-se que são feitas 350 mil cirurgias de hérnia inguinal por
ano no Brasil.
Segundo o cirurgião Adilon Cardoso Filho, as hérnias abdominais podem ser
congênitas ou adquiridas. "Geralmente, as mais comuns são as hérnias
congênitas, aquelas que as pessoas já nascem com ela. São as inguinais (uni ou
bilateral) e as umbilicais, que ocorrem com frequência em recém-nascidos".
Já as adquiridas, conforme explica o médico, podem ocorrer por esforço muscular
excessivo, onde você tem um afastamento das paredes musculares que gera um
conteúdo herniário no organismo que saí por um orifício ou defeito na parede
abdominal. "Temos também as hérnias incisionais ou pós-operatórias, que são
aquelas que ocorrem quando a pessoa faz uma cirurgia e, por um motivo genético,
nutricional, por esforço indevido ou alguma infecção, a sutura que é feita
provoca uma abertura e com isto não há uma cicatrização adequada, gerando assim
uma hérnia", esclarece o médico.

Graves complicações
Além das dores intensas, as hérnias abdominais podem levar a duas sérias complicações,
que se não tratadas com urgência podem levar o paciente ao óbito. De acordo com
Adilon Cardoso, quando a hérnia é formada pela camada de gordura que temos por
cima dos intestinos, essa porção de tecido adiposo que sai por esse defeito na
parede abdominal cria um processo isquêmico em virtude desta obstrução que
surge. Ou seja, o sangue não chega ao tecido que irá necrosar ou morrer.
Outra complicação também muito grave é quando o intestino "vaza" para dentro
deste defeito herniário na parede abdominal. "Temos então duas sérias
complicações. Além do quadro de isquemia, há então um processo obstrutivo do
órgão. Ocorre o travamento do conteúdo intestinal, o que leva o paciente a ter
distensão e rompimento da parede do intestino, translocação bacteriana e outras
complicações", afirma Adilon.
De acordo com o cirurgião, os quadros de hérnias abdominais podem sim levar a
um grande risco de vida, se não forem tratados adequadamente e a tempo. "Essas
complicações advêm do tamanho da hérnia, de onde ela está localizada e há
quanto tempo existe no organismo. Dependendo do tipo e do estágio da hérnia,
lidamos com situações isquêmicas e infecciosas, e estes dois quadros combinados
podem ser sim muito graves", afirma o médico.
Obesidade
Dentre os fatores de risco para as hérnias abdominais temos o próprio
envelhecimento do organismo humano, a realização de exercícios físicos de
maneira incorreta ou carregamento de peso excessivo, e a obesidade, que
inclusive pode esconder as hérnias. "Nem toda hérnia apresenta protuberância
externa. Devemos lembrar que hoje estamos lidando com uma população com altos
índices de obesidade e isso pode fazer com que o excesso de gordura ou de
tecido adiposo esconda essas hérnias", explica o cirurgião gastro-robótico.
Adilon Cardoso Filho afirma ainda que há também as hérnias internas, que não
são visíveis nem em pacientes obesos e nem nos magros. "As hérnias
diafragmáticas e lombares também não costumam apresentar protuberância externa.
Por isto, quando houver dores intensas nessas regiões que não sejam
solucionadas com tratamento medicamentoso, a indicação é procurar o serviço
médico com urgência", avisa.
Só cirurgia
Os tratamentos para todos os tipos de hérnia são, necessariamente, cirúrgicos,
segundo explica o médico Adilon Cardoso Filho. "Não há nenhuma solução
medicamentosa para os casos de hérnia abdominal. A hérnia nada mais é do que um
defeito anatômico, ou seja, algo que está fora do lugar no corpo, então a
indicação é sempre a cirurgia", afirma.

Mas o médico salienta que dependendo da condição de saúde do paciente, a
operação pode não ser recomendada. "Quando a pessoa tem um quadro de saúde
que pode trazer complicações durante a cirurgia, como pacientes com
cardiopatias graves, ou sindrômicos, pacientes muito idosos, essa operação pode
não ser recomendada. Mas essa definição em fazer ou não a cirurgia, deve ser
avaliada entre o médico cirurgião, o paciente e outros colegas médicos de
outras especialistas", explica.




