Com sabão ou com calor, mas sem alvejante. Como desinfetar as máscaras reutilizáveis?





17/04/2020 18:11 | Europa | Comportamento |

Helio de Carvalho


O infecciologista português Jaime Nina explicar como lavar e conservar as máscaras de tecido para reutilização


O fato de haver dificuldade de se encontrar máscaras cirúrgicas disponíveis no mercado, vem fazendo muita gente procurar alternativas. Os EUA, por exemplo, emitiram tutoriais e vídeos explicativos sobre como produzir máscaras caseiras. Sobre isto, Jaime Nina, infecciologista no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, refere dois estudos (um europeu e outro norte-americano) para refletir sobre uma conclusão: as máscaras de pano têm algum efeito e são uma alternativa válida, comparada a não usar nada (ainda que tenham um efeito menos eficaz que as máscaras cirúrgicas).


As máscaras feitas exclusivamente de pano, diz o também professor da Universidade Nova de Lisboa, podem ser lavadas e, consequentemente, reutilizadas. “Se tiverem algum componente de plástico, já não podem ser reutilizáveis”, explica. Naturalmente, que tal depende do tipo de tecido usado na confecção — um estudo de 2013 da Universidade de Stanford, concluiu que alguns dos materiais mais eficazes são filtros de aspiradores, toalhas de mesa e t-shirts de algodão —, e que a maior parte deles “aguenta a lavagem a 30, 40 ou 60 graus sem problemas”.


Quais os melhores métodos e o que deve evitar?


As máscaras de pano devem ser lavadas “rotineiramente“. Mas, há formas melhores de o fazer:


> Lavar à mão ou na máquina.

> Usar água sanitária é um dos métodos recomendados para a desinfeção de superfícies, por exemplo, mas pode não ser o ideal para a lavagem de máscaras, uma vez que esta pode danificar as suas fibras; e as mãos também, dependendo da concentração, lembra Jaime Nina. O infecciologista refere que também é admissível lavar estas máscaras com sabão ou com o habitual detergente para lavar a roupa. Se for na máquina, pode ser a 30, 40 e 60 graus — e junto com outra roupa. “O importante é jogar o vírus pelo cano abaixo”, refere.

> Usar o calor

Mesmo aproveitando o fato de o vírus ser sensível à temperatura, deve ser evitada a ideia de colocar a máscara no forno, por poder provocar acidentes, dependendo do tipo de tecidos. Já embeber a máscara em água fervida pode ser uma opção.

> Secar bem e guardar

Após a lavagem, as máscaras poderão ser deixadas secando (preferencialmente numa área onde não exista contato com terceiros) no varal ou utilizando um secador ou mesmo ferro de passar. Depois de limpa e seca, a máscara deve ser guardada — caso não exista necessidade de uso imediato — numa caixa de papelão limpa, por exemplo. Uma caixa de plástico não é recomendável.


Considerando que exista uma grande diversidade de máscaras, Jaime Nina não recomenda a reutilização das máscaras que não sejam feitas exclusivamente de pano, mas admite a possibilidade de outras máscaras serem usadas mais do que uma vez, como “medida de último recurso” e mediante alguns cuidados. “Se a pessoa não tem tosse, se não apanhou chuva, se a máscara está completamente seca e for mantida num local onde não há contaminação, então, pode ser reutilizada”. Mas, fica o aviso: “Quanto mais velha for a máscara, maior é o risco de ficar permeável e de começar a transportar vírus”, diz, referindo-se não apenas ao novo coronavírus. É fundamental garantir que as máscaras estejam secas.


“A resistência ao desgaste durante o tempo de utilização deverá também ser considerada, uma vez que as alterações provocadas pelo uso podem induzir a uma maior retenção e crescimento bacteriano”, alerta Jaime.


As máscaras também têm inconvenientes. Falando em pessoas asmáticas ou com deficiências respiratórias. Além disto, os doentes devem ter cuidados redobrados: “A tosse pode humedecer a máscara, a qual deve ser substituída logo que possível. Se ficar molhada, a máscara pode facilitar a transmissão do vírus”, reitera. Daí que também seja particularmente importante ter cuidado no processo de retirar as máscaras.


Em Portugal, foi baixada uma norma da Direção-Geral da Saúde. datada de 13 de abril, recomendando o uso de máscaras por todas as pessoas em espaços públicos fechados, como supermercados ou transportes públicos. Trata-se de uma medida de proteção adicional ao distanciamento social, à higiene das mãos e à etiqueta respiratória, e surge na sequência de uma análise feita pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças.