Justiça do Reino Unido examina pedido de extradição de Assange





24/02/2020 20:28 ( Atualizado em 17/03/2020 23:18) | Europa | INTERNACIONAL |

Helio de Carvalho


Fundador do Wikileaks é acusado pela Justiça americana de espionagem e atuar como hacker. Simpatizantes protestam


A Justiça do Reino Unido começou a examinar nesta segunda-feira (24), o pedido de extradição do fundador do Wikileaks, Julian Assange, pela Justiça dos Estados Unidos, onde ele é acusado pela publicação de centenas de milhares de documentos confidenciais.


Em uma sala no tribunal de Woolwich, sudeste de Londres, cheia de simpatizantes de Assange, o australiano de 48 anos de idade apareceu com um semblante calmo e atento.


Considerado um paladino da liberdade de expressão por dezenas de seguidores que se reuniram diante do edifício, Assange pode ser condenado a até 175 anos de prisão nos EUA por atuar como hacker e praticar espionagem. Os EUA argumentaram que o fundador do WikiLeaks não é um defensor da liberdade de expressão, mas um criminoso "normal" que colocou vidas em risco com a publicação de informação classificada.


Personagem polêmico, o australiano declarou em uma audiência preliminar que se negava a “submeter-se a uma extradição por um trabalho jornalístico que recebeu muitos prêmios e protegeu muitas pessoas”.


Em um primeiro momento, ele foi acusado de hackear, mas, em maio do ano passado, a justiça americana apresentou 17 acusações adicionais com base na lei antiespionagem. Os simpatizantes de Assange denunciam que as acusações representam um grave perigo à liberdade de imprensa.


Nas redes sociais, um manifestante publicou que “os EEUU mantêm no exterior mais de meio milhão de soldados, espiões, técnicos, instrutores, dependentes e construtores civis, bem como diversas forças-tarefa de porta-aviões navegando por remotos mares e oceanos, além de várias ‘bases secretas’, a fim de monitorar como os cidadãos do mundo, incluindo os próprios americanos, se comunicam por e-mail, redes sociais, etc”.


Detido na prisão de segurança máxima de Belmarsh desde que foi expulso da embaixada do Equador em Londres, há 10 meses, Julian Assange terá que comparecer durante toda a semana à Woolwich Crown Court. Depois, a audiência será retomada em 18 de maio, por três semanas.

 

 (Foto manchete: Daniel Leal-Olivas/AFP)