Publicado em 26/11/2019
Por Kelly
Oliveira - Repórter da Agência Brasil - Brasília
O processo de transformação do Estado brasileiro é difícil e doloroso, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, hoje (26), em conferência no Peterson Institute for International Economics, em Washington.
Guedes ressaltou que essa transformação
ocorre em meio a uma democracia vibrante. “Estamos transformando o estado
brasileiro. É um trabalho doloroso, é duro”, disse. Ele acrescentou que
muito do que se ouve sobre o Brasil é ruído e deve ser ignorado. “O que
vocês ouvem fora é que há uma bagunça. Não prestem atenção nisso. [O
Brasil] é uma democracia vibrante, com poderes independentes”,
ressaltou, acrescendo que no país a democracia nunca foi tão forte como
atualmente.
O ministro também afirmou que não há
escândalos de corrupção no país e acrescentou que o Brasil não vai queimar
florestas ilegalmente e que respeita o acordo de Paris.
Ontem, ao responder sobre convulsões
políticas na América Latina, Guedes disse que considera inconcebível um novo
AI-5 no Brasil, mas as pessoas não devem se assustar se alguém pedir um AI-5
caso haja radicalização no Brasil.
Hoje, ele defendeu o direito da população de
se manifestar pacificamente, “sem quebrar a rua toda”. “A democracia
é barulhenta. Nós respeitamos e valorizamos isso. Não temos problemas com
manifestações públicas”, disse. Guedes enfatizou ainda que é preciso
respeitar quem foi eleito e que a disputa pelo poder deve se dar nas eleições.
Durante a conferência em Washington, Guedes defendeu as medidas econômicas que estão sendo adotadas pelo governo, como a reforma da Previdência, considerada emergencial, o ajuste fiscal, a descentralização das receitas públicas com maior distribuição entre estados e municípios, privatizações, e as reformas administrativa e tributária.
Repercussões
O presidente do Supremo Tribunal Federal,
Dias Toffoli, disse na manhã desta terça-feira que o "AI-5 é
incompatível com a democracia". No período da tarde, o presidente da
Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia criticou a declaração do ministro. Para ele,
a afirmação gera uma insegurança na sociedade, principalmente nos investidores.
"Porque usar dessa forma, mesmo que
sendo para explicar o radicalismo do outro lado, não faz sentido”,
questionou. Para Maia, é necessário cautela com argumentações que defendam atos
autoritários. "Tem que tomar cuidado, porque você está usando um
argumento do ponto de vista do discurso e como não faz sentido, acaba gerando
insegurança em todos nós sobre qual o intuito de utilização de forma recorrente
dessa palavra", ressaltou.
Ciro
Gomes também se pronunciou a respeito, no Senado, no início desta noite (26).
Assista ao vídeo:
Sobre o AI-5
Publicado dia 13 de dezembro de 1968,
durante o governo de Costa e Silva, o AI-5 é considerado o mais duro dos atos
do período militar (1964-1985). O dispositivo autorizava o presidente da
República a decretar o recesso do Congresso Nacional, das assembleias
legislativas e das câmaras de vereadores, cassar mandatos de parlamentares e
suspender direitos políticos dos cidadãos.
Após a publicação do ato, o presidente Costa
e Silva fechou o Congresso Nacional por tempo indeterminado. Segundo registro da
Câmara dos Deputados, o Congresso só voltou a funcionar dez meses depois. A
justificativa era assegurar a ordem e a tranquilidade no país.
*colaborou Felipe
Pontes e Heloisa Cristaldo
Foto: Fabio Rodrigues
Pozzebom/Agência Brasil