Em briga de marido e mulher...





15/10/2019 12:35 | Miguel Pereira | EDITORIAL |

Helio de Carvalho


O mês de setembro, em Miguel Pereira, foi marcado por dois casos de feminicídio que, possivelmente, se alguma pessoa próxima a estas mulheres tivesse metido a colher nas primeiras agressões e ameaças, estas vidas não teriam se perdido


O dito popular “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” foi muito usado no passado e, possivelmente, as novas gerações não o conheça. Infelizmente, o comportamento social segue à risca esta que não é uma das melhores expressões de se falar, muito menos de se obedecer. Em 2016, o país registrou 63.090 denúncias de violência contra a mulher, o que corresponde a um relato a cada sete minutos. Deste total, 85% dos casos aconteceu em ambiente doméstico e familiar! Já passou da hora de familiares, amigos, vizinhos “meterem a colher” sempre que tomarem conhecimento de alguém que esteja sofrendo algum tipo de violência, seja física, psicológica (como ameaça, por exemplo), moral, cárcere privado ou assédio sexual. Até porque, o medo paralisa, e esse tipo de agressor de mulheres é especialista em pôr medo em suas vítimas.


O mês de setembro, em Miguel Pereira, foi marcado por dois casos de feminicídio que, possivelmente, se alguma pessoa próxima a estas mulheres tivesse metido a colher nas primeiras agressões e ameaças, estas vidas não teriam se perdido.


Entretanto, quem mais precisa se conscientizar de que tal dito popular deve ser desdito, é, sobretudo e sobre todos, a própria mulher.


Na novela global Bom Sucesso, o personagem Diogo, interpretado por Armando Babaioff, um advogado inescrupuloso, casado com Nana, que mantém um caso com a assistente da esposa, Gisele, é uma ficção bem real em milhares de lares brasileiros. Refiro-me à relação de posse e ameaças. A amante já foi ameaçada várias vezes, inclusive quase esganada – como foi assassinada a pastora, encontrada morta em sua geladeira – e, apesar de demonstrar medo, Gisele “descansa” na hipótese de ele estar blefando e admite tal tratamento “em nome do amor”. Ei, acorda! Não há lugar para qualquer tipo de maus tratos onde há amor.  


O perfil psicológico de um agressor se caracteriza pela falta de controle emocional. São analfabetos em termos afetivos. Têm grande dificuldade para expressar o que sentem, não sabem refletir sobre seu eu interior e carecem de todo tipo de empatia. Isto os priva de qualquer remorso sobre o mal que causaram à sua vítima. Este tipo de homem se sente na necessidade e na obrigação de controlar tudo que sua parceira faz ou sente: seu trabalho, as relações que têm com sua família, seu círculo de amizades, seus gostos. Ele desenvolve atitudes de vigilância extrema e ciúmes doentios. Isto não é amor; são sintomas de um cara que vai acabar com a sua vida.


Em caso de violência, meta a colher: disque 180 – Central de Atendimento à Mulher.