Queda histórica da Bolsa faz bilionários brasileiros perderem R$ 75,6 bilhões em um único dia





27/10/2026 12:34 ( Atualizado em 27/10/2026 12:36) | São Paulo | Economia |

Orlando Dias



A segunda-feira (26) foi marcada por perdas bilionárias no mercado financeiro brasileiro. A forte desvalorização das ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) reduziu em aproximadamente US$ 14 bilhões, equivalentes a R$ 75,6 bilhões, o patrimônio dos dez brasileiros que figuram entre as 500 pessoas mais ricas do mundo.

O resultado, calculado pelo Índice de Bilionários da Bloomberg, representa a maior perda conjunta desse grupo em um único dia desde que o levantamento começou a ser realizado, em 2012.

A turbulência ocorreu após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado eleitoral contrariou as expectativas de parte dos investidores, provocando uma onda de vendas de ações e uma rápida desvalorização de empresas de diferentes setores.

O Ibovespa, principal indicador do mercado acionário brasileiro, encerrou o pregão com queda de 13,88%, aos 176.608 pontos. A situação foi tão intensa que a B3 precisou interromper temporariamente as negociações, acionando o mecanismo de segurança conhecido como circuit breaker.


Grandes fortunas foram diretamente atingidas

Entre os empresários mais afetados está André Esteves, fundador do BTG Pactual, cuja fortuna diminuiu aproximadamente US$ 3,7 bilhões, cerca de R$ 20 bilhões. A perda corresponde a quase um quarto de seu patrimônio, estimado em US$ 12 bilhões após a queda.

Os irmãos Pedro e Fernando Moreira Salles, acionistas do Itaú Unibanco, tiveram uma redução conjunta de aproximadamente US$ 3 bilhões em suas fortunas.

Outro empresário atingido foi o colombiano David Vélez, fundador do Nubank, que concentra suas operações principalmente no Brasil. Seu patrimônio recuou cerca de US$ 2,3 bilhões.

A instabilidade também alcançou João e Walter Moreira Salles, que deixaram de ser acionistas do Itaú em 2022 e mantêm investimentos em outros segmentos. Juntos, perderam aproximadamente US$ 1,2 bilhão.


Desvalorização atingiu bancos e grandes empresas

O setor financeiro esteve entre os mais prejudicados. As ações do Banco do Brasil caíram 27,31%, enquanto os papéis do BTG Pactual recuaram 24,83%. O Itaú Unibanco registrou baixa de 13,66%.

Em outros segmentos, a Magazine Luiza apresentou uma das quedas mais expressivas do pregão, com desvalorização de 58,23%. A Vamos e a Hapvida também sofreram perdas superiores a 50%.

A pressão sobre o mercado brasileiro alcançou ainda o câmbio. O dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,4027, após valorização de 8,21% diante do real.

Esse movimento ampliou a redução das fortunas calculadas em moeda americana, já que a desvalorização do real diminuiu o valor em dólares de patrimônios mantidos no Brasil.

Apesar dos números expressivos, as perdas não representam necessariamente dinheiro retirado das contas dos empresários. Trata-se, principalmente, da diminuição do valor de mercado de ações e participações societárias, que podem voltar a se valorizar ou sofrer novas quedas conforme o comportamento dos investidores.