Alunos de Miguel Pereira aprendem, na prática, como a preservação das florestas protege a água e a vida





13/10/2026 18:07 ( Atualizado em 13/10/2026 18:21) | Miguel Pereira | Meio Ambiente |

Orlando Dias


Atividade do Programa Produtores de Água e Floresta reúne estudantes do Colégio Estadual Vera Cruz e demonstra como o equilíbrio ambiental depende da relação entre natureza e comunidade


A preservação de uma nascente começa muito antes de a água chegar aos rios. Ela depende da conservação das florestas, da biodiversidade e, principalmente, da maneira como as pessoas se relacionam com o meio ambiente. Essa conexão foi o tema de uma atividade de educação ambiental realizada no Colégio Estadual Vera Cruz, na zona rural de Miguel Pereira, que reuniu cerca de 20 estudantes do 6º ano em uma experiência prática sobre a importância de proteger os recursos naturais.

Promovida pelo Programa Produtores de Água e Floresta (PAF), a iniciativa utilizou uma dinâmica coletiva para demonstrar como os diferentes elementos da natureza estão interligados. Sob a orientação da técnica Ingrid Coelho, os alunos participaram da construção simbólica de uma grande teia, na qual cada estudante representava um componente do ecossistema, como rios, nascentes, árvores, animais e seres humanos.


Durante a atividade, situações como o desmatamento, a poluição dos cursos d'água e o desaparecimento de nascentes foram simuladas para mostrar como uma alteração ambiental pode desencadear consequências sobre todo o ecossistema. À medida que os elementos eram retirados da dinâmica, os estudantes percebiam o enfraquecimento da rede de relações que sustenta a biodiversidade e a própria vida humana.

Através da teia, a gente foi mostrando como eles estavam conectados, como todo mundo precisa de todo mundo. E aí ficou visível como essa teia da vida é uma interconexão. A partir do momento em que existe um impacto, ele afeta o outro e a teia enfraquece”, explica Ingrid.

A proposta buscou transformar conceitos frequentemente apresentados nos livros didáticos em uma experiência concreta, permitindo que os estudantes compreendessem as consequências da degradação ambiental e a importância de atitudes voltadas à conservação.


Conhecimento que ultrapassa os limites da sala de aula


A escolha do Colégio Estadual Vera Cruz para a realização da atividade está diretamente relacionada às características ambientais da região. Localizada em uma área rural de Miguel Pereira, a unidade escolar atende estudantes que convivem com uma paisagem marcada pela presença de florestas, rios, cachoeiras e nascentes.

Nesse cenário, a educação ambiental assume um significado ainda mais próximo da realidade dos alunos, ao associar o aprendizado escolar à preservação dos recursos naturais existentes nas comunidades onde vivem.

A programação também contemplou uma intervenção artística no pátio da escola. Os estudantes participaram da aplicação de um lambe-lambe educativo, composto por imagens de espécies da fauna e da flora. A proposta foi despertar o interesse pela biodiversidade local e estimular toda a comunidade escolar a reconhecer o valor ambiental do território.

Além dos participantes do 6º ano, alunos do 7º e do 8º anos receberam camisas do PAF, ampliando o contato dos estudantes com o programa e suas iniciativas de conservação.

Para o diretor-geral do Colégio Estadual Vera Cruz, Adriano Cesário Gomes, atividades dessa natureza desempenham um papel importante na formação dos jovens, especialmente por aproximarem o conhecimento científico de situações presentes em seu cotidiano.

A gente entende como extremamente positivo. Eles estão podendo ter uma aula prática de como cuidar dos mananciais, de como interagir melhor com o habitat, com a vida, com a biodiversidade que está ao entorno. [...] Eu tenho certeza que, como eu fiz, aprendi na escola, levei para a família e para o espaço que eu estava inserido, que eles vão fazer a mesma coisa. Foi isso que eu acredito da grandeza desse trabalho, dessa importância. Juntos somos mais fortes por um meio ambiente melhor”, afirma.

A expectativa é que os conhecimentos adquiridos pelos estudantes ultrapassem o ambiente escolar e sejam compartilhados com familiares e moradores das comunidades, contribuindo para fortalecer a consciência sobre a preservação dos recursos hídricos e da vegetação nativa.


Programa atua na proteção de nascentes e na recuperação florestal


A atividade integra as ações de educação ambiental desenvolvidas pelo Programa Produtores de Água e Floresta, que atua em cinco municípios da Região Hidrográfica II do estado do Rio de Janeiro: Miguel Pereira, Mendes, Engenheiro Paulo de Frontin, Rio Claro e Vassouras.

O PAF desenvolve iniciativas de conservação ambiental, restauração florestal e proteção dos recursos hídricos, em parceria com proprietários rurais e comunidades das áreas atendidas. Entre seus objetivos está o fortalecimento de uma rede de cooperação voltada à preservação de nascentes e à recuperação de áreas importantes para a manutenção da disponibilidade e da qualidade da água.

Ao levar essas discussões para as escolas, o programa também investe na formação de uma consciência ambiental desde a juventude, demonstrando que a proteção da natureza está diretamente relacionada ao bem-estar das populações e ao futuro dos territórios.

O Programa Produtores de Água e Floresta é uma iniciativa do Comitê Guandu, executada pela Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (AGEVAP), com recursos provenientes da cobrança pelo uso da água na Região Hidrográfica II.

Mais informações sobre o programa, suas atividades e as ações desenvolvidas nos municípios participantes estão disponíveis no Instagram oficial @paf_aguaefloresta.