A crise no principal eixo entre Japeri e Miguel Pereira entrou em nova etapa. Depois de o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro recomendar providências emergenciais ao DER-RJ e de a Prefeitura de Japeri anunciar, em nota pública, a transição da responsabilidade da operação para o órgão estadual a partir de quinta-feira, 12 de março, a RJ-125 passou a operar sob um novo arranjo, com redução da dependência da passagem alternativa usada na altura do Beira Rio, um dos pontos de maior desgaste nos últimos dias.
A mudança tem peso prático para quem usa a rodovia diariamente. Nos dias mais críticos, a passagem alternativa vinha concentrando reclamações de moradores e motoristas, e chegou a funcionar em mão dupla, sem controle de trânsito, cenário que ampliava o risco de congestionamentos e acidentes, segundo relatos públicos de usuários e registros que circularam nas redes.
Uma manifestação organizada por moradores, na sexta-feira, 13, chegou a concentrar pessoas com faixas e uso de barricadas incendiadas, próxima à rotatória para Paracambi, mas foi esvaziada pelo fato de o DER ter interrompido o uso do acesso pelo bairro.
O problema, porém, está longe de se resumir ao trânsito. Em ofício divulgado no início do mês, o MPRJ cobrou do DER-RJ laudo técnico sobre as condições da pista, medidas de contenção de encostas, cronograma de obras e um plano para reduzir riscos à população, destacando que a instabilidade do terreno foi agravada pelas chuvas de fevereiro. Poucos dias antes, a Prefeitura de Japeri havia decretado estado de emergência após registrar cerca de 100 milímetros de chuva em 24 horas.
Nos comunicados oficiais, a Prefeitura de Japeri sustentou que a interdição da RJ-125 era necessária por razões de segurança, diante do risco de deslizamento de massa, deslocamento de terreno e possível rolamento de blocos de rocha. O quadro ainda produz efeitos fora da pista: neste sábado, 14 de março, o município informou atendimento a famílias da Rua Albatroz, no Beira Rio, após deslizamentos associados às chuvas do fim de fevereiro; segundo a administração, 36 casas foram interditadas e 16 famílias já haviam recebido laudo oficial.
Para moradores de Miguel Pereira, Paty do Alferes e cidades vizinhas, o dado mais relevante neste momento é que o acesso segue em fase de circulação controlada, depois de uma mudança operacional que tirou o caso do campo improvisado e o levou formalmente para a esfera do DER. O alívio no fluxo é relevante, mas ainda parcial. Nas notas públicas consultadas até este domingo, 15 de março, não há prazo divulgado para a recuperação integral do trecho.
Por ora, a RJ-125 deixa de ser apenas um problema local de Japeri e volta a se impor como o que sempre foi: um corredor estratégico para toda a região. O tráfego pode ter ficado menos caótico do que nos primeiros dias de interdição, mas a normalização completa ainda depende de obra, cronograma e data. E isto, até aqui, continua em aberto.
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