O Irã anunciou neste domingo, 8, a escolha do clérigo Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país, em meio ao agravamento da guerra com Israel e à expansão da crise no Golfo Pérsico. Filho de Ali Khamenei, morto no fim de fevereiro em um ataque aéreo, Mojtaba assume o posto mais alto da estrutura política e religiosa da República Islâmica em um dos momentos mais delicados da história recente do regime.
A sucessão foi divulgada pela imprensa estatal iraniana e confirmada por integrantes da Assembleia de Especialistas, órgão responsável pela definição da liderança suprema. Com perfil alinhado à ala mais conservadora do regime e relação próxima com a Guarda Revolucionária, Mojtaba passa a ocupar uma função central na condução do país em meio à escalada militar e ao aumento da pressão internacional.
A nomeação reforça a leitura de continuidade da linha dura adotada por Teerã nos últimos anos. Também sinaliza que, ao menos no curto prazo, não há perspectiva concreta de distensão. A troca de comando ocorre sob forte tensão interna, com a capital iraniana ainda sob efeito dos ataques que atingiram áreas estratégicas e agravaram as condições ambientais em Teerã.
Autoridades iranianas recomendaram que moradores permaneçam em casa e evitem atividades ao ar livre após bombardeios que provocaram incêndios, fumaça intensa e piora da qualidade do ar. Órgãos ambientais locais apontaram risco de contaminação atmosférica por substâncias tóxicas liberadas após as explosões em instalações de combustível.
Os confrontos também se espalharam para outros pontos da região. Houve registros de ataques ou danos a estruturas ligadas ao setor energético no Kuwait e no Bahrein, além de uma tentativa frustrada de atingir o bairro diplomático em Riad, na Arábia Saudita. O avanço da crise amplia o temor de desorganização logística e pressiona o mercado de hidrocarbonetos.