A cantora e compositora Ro
Araujo, natural de Nova Iguaçu (RJ), estreia na música com o lançamento de seu
primeiro álbum solo, "Afruturo", disponível nas principais
plataformas de streaming a partir do dia 15 de janeiro. Composto por 12 faixas,
o disco mescla gêneros como cumbia, soul, bossa nova e maracatu, em uma fusão
que celebra a cultura negra e aborda questões contemporâneas como direitos
femininos, reparação histórica, autoconhecimento e padrões estéticos.
A realização deste trabalho
é resultado de um momento decisivo na vida da artista.

O projeto é o sonho de uma
vida, mas só tomou forma após um episódio traumático em que corri risco de
morte. Percebi a urgência de resgatar esse sonho e falar sobre temas que
realmente importam para mim", explica Ro Araujo.
Precedido pelos singles "Raridade"
e "Nesse Som" - o último com videoclipe inclusivo produzido
pela Lei Paulo Gustavo, já com mais de 50 mil visualizações -, o álbum busca
aliar inovação artística e representatividade. O clipe, gravado em Nova Iguaçu
e pontos emblemáticos do Rio de Janeiro, como o Cais do Valongo, destaca
elementos da cultura afro-brasileira, com participação de capoeiristas,
skatistas e coletivos culturais como o Baque Mulher.
Musicalmente, "Afruturo" reflete a pluralidade de influências da cantora.

Sempre admirei desde os
clássicos da MPB até artistas contemporâneos como Anitta. No álbum, há uma
faixa funk que discute padrões de beleza e procedimentos estéticos, desafiando
a narrativa tradicional desse gênero", revela. Entre os
destaques, estão "Contra o Vento", que combina bossa nova e
cumbia, e "Proteção", que une referências aos orixás com
maracatu e soul.
Além do compromisso com a
diversidade sonora, Ro também valoriza a equidade de gênero. A equipe do álbum
é composta majoritariamente por mulheres, e o projeto conta com colaborações de
artistas como Ju Santana, Ananda Jacques e Aiane, reforçando o protagonismo
feminino no cenário musical.
A trajetória de Ro Araujo
na música teve início em 2015, quando conciliava aulas de canto na Escola de
Música Villa-Lobos com sua atuação como editora de novelas na Rede Globo. Desde
então, a artista vem consolidando seu espaço, participando de movimentos como o
Mulheres Sambistas e do programa Mulheres Artistas em Residência,
onde lançou um disco autoral em 2022.
Com "Afruturo",
Ro Araujo transforma vivências pessoais em arte, utilizando a música como
ferramenta de diálogo social e valorização cultural.

Quero criar uma conexão
genuína com o público, mostrar novas facetas e construir uma narrativa que
seja, ao mesmo tempo, autêntica e coletiva", conclui a
artista.
O título do álbum,
"Afruturo", carrega um conceito de ancestralidade projetada para o
futuro, dialogando com a busca por reconhecimento e valorização da cultura
afro-brasileira. Iniciativas como o uso da Lei Paulo Gustavo destacam a
importância do apoio público na produção artística diversa e inclusiva.
Foto manchete: Thiago Liel
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