Patrimônio
de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, a tradicional Festa do
Tomate de Paty do Alferes começou nesta quarta-feira (07) e termina amanhã (11).
Além da famosa programação recheada de shows e eventos, a festa deste ano tem
novidade na tradicional premiação: alimentos produzidos em estufas, o chamado
cultivo protegido, com investimentos e parceria técnica do Governo do Estado do
Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária,
Pesca e Abastecimento (Seappa).
São
tomates, pepinos, pimentões coloridos, entre outros itens produzidos com
qualidade a partir do apoio da secretaria, que disponibilizou técnicos da
Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Janeiro (Emater-Rio)
para incrementar o plantio em estufas específicas. A técnica garante o controle
sobre fatores ambientais como temperatura e umidade, além de reduzir o risco de
ataques de pragas e doenças, possibilitando a otimização da produção.

A
aposta tecnológica gera vitórias econômicas e ambientais. A nossa função é
ajudar os empreendedores fluminenses a prosperarem. Ao estimular novos
negócios, temos o retorno de mais investimentos, isso gera novos empregos,
estimula a criação de renda e um conjunto de novas oportunidades para toda a
região. Estamos muito animados em seguir fazendo a diferença na vida dos
pequenos e médios agricultores do Rio”, afirma o governador Cláudio Castro.
Parceria
gera retorno econômico e ambiental
O
isolamento da estufa evita a chegada de pragas e permite a redução
significativa do uso de defensivos químicos. Além disso, com esse tipo de
cultivo, há uma queda no consumo da água, pois o sistema protegido precisa
apenas de 2 litros de água, por planta, por dia, para oferecer um produto de
qualidade superior. Para se ter uma ideia, no cultivo tradicional são gastos 8
litros.
A
junção dessas condições permite que os produtores experimentem um ganho
econômico, afinal passam a produzir um alimento de maior qualidade. Somente no
ano passado foi computada a positiva produção de 10,2 mil toneladas, a criação
de 950 empregos diretos e 458 mil m² de área total de cultivo protegido. De
acordo com a Secretaria de Agricultura, a previsão de um retorno econômico para
a região é de R$ 71,7 milhões por ano. Desde 2020, o Governo do Rio concedeu R$
670 mil em créditos, a juros baixos (2% por ano), para produtores locais.

A
secretaria não mede esforços para que nossos produtores sejam atendidos.
Oferecemos nossas linhas de crédito para o desenvolvimento da cadeia produtiva.
Nosso intuito é que os produtores consigam alavancar sua produção e competir de
igual para igual no mercado”, ressalta Dr. Flávio, secretário estadual de
Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento.
Produção
preservada
O
produtor de tomates Sebastião Hudson Filho é testemunha desse processo.
Pioneiro no uso de estufas em Paty do Alferes, há 15 anos ele e mais 8
profissionais trabalham com essa modalidade. Para isso, contou com o apoio do
corpo técnico da Emater para implantar o sistema de produção em duas estufas. A
medida deu tão certo que seus tomates ganharam notoriedade no mercado e estão
sendo expostos na tradicional festa da cidade.

Comecei
produzindo tomate do tipo grape, depois migrei para o de estilo italiano. Esse
trabalho de cultivo protegido tem dado mais garantia à nossa produção,
estabilidade. Meus consumidores vêm buscar os alimentos diretamente aqui.
Fazemos produtos de qualidade nacional, que poucos têm. Estamos expondo nosso
tomate na festa, inclusive com pés de tomate para a culinária local”, explica Hudson
Filho.
Também
presente com exposição na Festa do Tomate, Julio Cesar de Carvalho Abreu é um
ex-produtor convencional. Ele conta que sua produção de pimentão colorido e
pepino japonês há anos lidava com o desgaste da terra e pragas. Além disso, não
conseguia obter empréstimos para inovar com as plantações, o que o levou a
temer a suspensão das atividades.
Para
ele, o apoio financeiro e técnico da Emater foi fundamental para a formalização
de seu negócio e para que voltasse a prosperar com segurança e respeito ao meio
ambiente.

A
Emater sempre foi parceira. São pessoas maravilhosas, só tenho a agradecer essa
parceria que está sempre nos orientando em relação a nossa produção, em que
podemos melhorar, qual a inovação de tecnologia que podemos ter, enfim, um
trabalho imprescindível em nossa região. Graças a Deus conheci a iniciativa e
consegui o financiamento, que ficou no entorno de R$ 90 mil reais para serem
pagos em 5 anos. Foi uma porta aberta para a gente dar continuidade na nossa
produção”,
disse Julio Cesar.
Ramificações
do evento
Renato
Farnezi, supervisor local da Emater em Paty do Alferes, relembra que, nos anos
70, o tomate produzido no município não era competitivo em padrão de fruto e
qualidade, em comparação com outras cidades. Então, com o intuito de criar
atividades de lazer para as famílias rurais, difundir novas tecnologias,
estimular premiações, padronizar e levar mais qualidade a sua produção, a
Emater-Rio e o Ceasa-Rio se organizaram para criar a “Semana Técnica do
Tomate”, embrião do que hoje é a Festa do Tomate de Paty do Alferes.
A
atuação da Emater hoje é fazer a coordenação técnica do concurso de qualidade
do tomate e da exposição agrícola em parceria com a Secretaria Municipal de
Agricultura de Paty do Alferes.

Para
participar do concurso, os produtores se inscrevem no nosso escritório e
entregam os produtos. Na festa é feito o julgamento. Cinco técnicos avaliam o
tomate e outros produtos expostos, por uma série de fatores e, depois disso, os
campeões são indicados e recebem premiação”, esclarece Farnezi.
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