Lula demite a cúpula da mídia pública brasileira pelo tratamento que foi dado ao ataque dos três poderes





16/01/2023 18:48 ( Atualizado em 16/01/2023 18:54) | Brasília | Da Redação |

Helio de Carvalho



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu, por decreto, a direção de todos os meios de comunicação públicos brasileiros como resultado do tratamento dado na cobertura dos ataques aos três poderes, em Brasília, em 8 de janeiro.

 

A decisão foi tomada na noite desta sexta-feira (13) e inclui a nomeação da jornalista Kariane Costa como presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), da qual dependem veículos importantes como Agência Brasil, TV e Rádio Brasil. A medida implica a abertura de um processo de transição e reorganização na EBC que durará cerca de 30 dias, informou a Presidência brasileira em comunicado.


A imprensa brasileira destaca que a direção destes veículos ainda estava nas mãos de funcionários indicados pelo ex-presidente, Jair Bolsonaro, cujos apoiadores invadiram o Congresso, o palácio presidencial e a sede do Supremo Tribunal Federal há uma semana.

Foi justamente a cobertura desses eventos que teria desencadeado as mudanças, pois enquanto a maior parte da mídia brasileira se referia aos apoiadores de Bolsonaro como "vândalos" ou "conspiradores golpistas", a mídia pública manteve o termo "manifestantes".

Uma fonte explicou que eles temiam uma cobertura ainda mais radical dos meios de comunicação comandados por pessoas próximas a Bolsonaro e a possível disseminação de ideias antidemocráticas ou mesmo sabotagem técnica para interromper transmissões e aparições da Presidência.

No dia seguinte à invasão aos três poderes, o telejornal da TV Brasil veiculou declarações do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, interpretadas como provocação, por políticos do atual governo.

 

(Foto manchete: Marcello Casal Jr | Agência Brasil)

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