Você
sabia que a Finlândia tem a melhor educação do mundo? Este resultado é fruto de
uma combinação de fatores: valorização e liberdade para os professores; mais
conteúdo e menos tecnologia; foco nos alunos que precisam de atenção. Mas, a
pergunta que não quer calar é: essas práticas funcionariam no Brasil, cuja
população é 40 vezes maior? Não sabemos. Mas achamos que todos os interessados
em melhorar a educação brasileira deveriam olhar com carinho para a experiência
finlandesa.
Na
Finlândia a educação é gratuita, inclusive no ensino superior. Só 2% das
escolas são particulares, mas são subsidiadas por fundos públicos e os
estudantes não pagam mensalidade. As crianças só entram na escola a partir dos
7 anos. Não há escolas em tempo integral, pelo contrário, a jornada é curta, de
4 a 7 horas, e os alunos não têm muita lição de casa.
Os
docentes da Finlândia ganham, em média, 3 mil euros por mês, em torno de R$ 16
mil reais, considerado um salário "médio" para o país. Para
conquistar a vaga é preciso ter mestrado e passar por treinamento. O salário
aumenta de acordo com o tempo de casa do professor, mas não há bônus concedidos
por mérito. A remuneração não é considerada alta. Em compensação, oferecem ao
professor um ambiente de trabalho interessante.
A
educação básica dura nove anos. Só 2% dos estudantes repetem o ano, o índice de
conclusão é de 99,7%. O segredo do sucesso não está ligado ao investimento, o
país investe apenas 6% de seu PIB no segmento. Para os finlandeses, o sistema
de educação gratuito não sai tão caro assim, é uma questão de organização.
Cortes
nos recursos: da educação infantil à universidade, no Brasil
Para
se ter uma ideia, buscamos um Relatório de Execução Orçamentária do Ministério
da Educação, de 2020, que tem o objetivo de analisar a destinação e o uso de
recursos na educação básica. Nela, a redução de investimentos foi da ordem de
13%. Os recursos destinados a investimento na educação básica (ensino
fundamental e médio) caíram de R$ 6,9 bilhões em 2020 para R$ 6 bilhões em
2021. Em 2018, foram 7,5 bilhões. Já na educação infantil, o corte foi pela
metade: de R$ 207 milhões, em 2018, para R$ 96 milhões. Em 2019, foram
investidos R$ 128 milhões e, em 2020, R$ 111 milhões. No Ensino Superior,
segundo a pesquisa, houve uma redução de empenho do orçamento discricionário,
ou seja, aquele que o governo tem o poder de cortar. A redução do empenho
foi de R$ 13 bilhões, em 2018, para R$ 8,2 bilhões em 2021. No que se refere a
recursos obrigatórios para a rede federal de universidades e institutos
federais, o recuo foi de 71%, com perda de 1,3 bilhão. Pior investimento em 10
anos.
Nem
tudo está perdido
Ainda
no Brasil, mais exatamente no Rio de Janeiro, Ricardo Lodi, enquanto foi reitor
da Uerj, promoveu em curto prazo uma pequena revolução ao investir na
permanência estudantil e ampliar os polos de extensão em diversos municípios
fluminenses.
O
agora ex-reitor da Uerj é advogado e professor de Direito Financeiro da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e conversou com o ED.
No
período em que ocupou a função de reitor, entre 2020 e 2022, promoveu uma série
de ações inclusivas, beneficiando estudantes, técnicos e docentes. Entre elas,
a implantação do maior Plano de Inclusão Digital do país, responsável por
distribuir cerca de 10 mil tablets e 12 mil pacotes de dados para a internet,
para toda a comunidade acadêmica. Ele também investiu na permanência estudantil,
ao criar auxílios para transporte, alimentação, material didático, creche,
moradia e uniforme, bem como promoveu o aumento do valor das bolsas para alunos
em vulnerabilidade socioeconômica.
Além
disto, Lodi ampliou o processo de expansão e interiorização da Uerj. Na sua
gestão houve a inauguração do Hospital Universitário Reitor Hesio Cordeiro, em
Cabo Frio, uma inovadora experiência de transformação de hospitais privados em
unidades destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS); a incorporação do Centro Universitário
da Zona Oeste (Uezo), em Campo Grande; a implantação da unidade Vaz Lobo, no
coração do subúrbio do Rio e a criação de 18 Polos de Extensão em diversos
municípios fluminenses, como o que vem funcionando na cidade de Paty de
Alferes, com oferta de atividades culturais, esportivas, além das aulas de
pré-vestibular social e reforço escolar.
Educação
como transformação social
Durante
a pandemia de Covid-19, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)
exerceu papel de grande importância, tanto no combate ao coronavírus, como na
implementação de ações inclusivas direcionadas à permanência estudantil.
À
frente da Reitoria da Uerj, estava o professor de Direito Financeiro, Ricardo
Lodi, recém-eleito com mais de 12 mil votos, em chapa única, com amplo apoio de
docentes, técnicos e estudantes.
Em
conversa com o Jornal Em Destaque, Lodi disse:
Assumi
a Reitoria da Uerj em janeiro de 2020 com o compromisso de investir na Extensão
e na Cultura. Mas, em menos de três meses nos deparamos com a grave crise
sanitária provocada pela Covid-19, que nos obrigou a seguir os protocolos de
segurança e suspender todas as atividades presenciais e nos reinventar”, afirmou.
Nesse
momento, o Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) se tornou referência
tanto no atendimento à população fluminense quanto no tratamento pós-covid; a
Policlínica Piquet Carneiro (PPC) transformou-se na maior testadora da doença e
foi criado o maior posto de vacinação em universidades do país, que imunizou
mais de 95 mil pessoas.
Na
sequência, a Uerj se destacou durante a implantação do ensino remoto, ao
instituir o Plano de Inclusão Digital, distribuindo cerca de oito mil tablets e
12 mil chips para os alunos. Esta medida permitiu que os estudantes pudessem
ter acesso ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), plataforma da internet
onde as aulas do Período Acadêmico Emergencial passaram a ser ofertadas.
Conhecendo
o perfil social periférico dos alunos da Uerj, não poderíamos simplesmente
determinar que as aulas seriam virtuais e que eles se virassem para conseguir
computador e internet. Mas precisávamos de recursos para adotar um projeto de inclusão
digital, e a grande virada foi conseguir sensibilizar as autoridades para
mostrar a importância de se colocar o pobre no orçamento”, afirmou Lodi ao
ED.
Auxílios
para evitar a evasão estudantil
O
ex-reitor nos disse que, na ocasião, ainda era preciso ampliar as ações de
inclusão de forma a evitar a evasão estudantil. A situação econômica derivada
do recrudescimento da pandemia vinha acirrando as desigualdades sociais. Além
disto, o Rio de Janeiro sofria restrições financeiras impostas pela União, em
virtude do plano de recuperação fiscal, que instituiu teto de gastos austero,
provocando cortes de verbas nas áreas de educação e saúde.
Eu
sou professor de Direito Financeiro e luto com as armas que eu tenho, a
principal arma é a Constituição Federal, que garante à educação 25% da receita
tributária, o que não vinha sendo cumprido no Rio de Janeiro há muitos anos.
Acho que a grande vitória foi fazer com que isto fosse cumprido, trazendo o
recurso que a gente precisava para fazer a pequena revolução da Uerj”, declarou Lodi.
Deste
modo, a Uerj decidiu priorizar a comunidade estudantil implementando vários
incentivos citados acima, além de investir em programas de incentivo à pesquisa
incluindo docentes e técnicos.
Processo
de expansão territorial
Na
gestão de Ricardo Lodi, a universidade retomou o seu processo de expansão e
interiorização. Entre as conquistas, estão: a inauguração do Hospital
Universitário Reitor Hesio Cordeiro, em Cabo Frio, como uma inovadora
experiência de transformação de hospitais privados em unidades universitárias
integralmente destinadas ao SUS; a incorporação da Uezo, em Campo Grande, e a
criação da Unidade Vaz Lobo, no coração do subúrbio do Rio, onde serão desenvolvidos
novos cursos de graduação e especialização.
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Lodi visita Polo de Extensão da Uerj em Paty do Alferes
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Dando
continuidade ao projeto, a Uerj instalou Polos de Extensão e Cultura em
diversos municípios fluminenses como Barra Mansa, Valença, Resende, Cabo Frio,
Três Rios, Itaguaí, Niterói, Paraíba do Sul, Volta Redonda, Magé, o já
mencionado Paty do Alferes; também no bairro de Madureira, entre outros.
De
acordo com Ricardo Lodi, a intenção era estar presente em todo o interior do
Rio, oferecendo atividades de esporte, cultura, reforço escolar, bem como aulas
de pré-vestibular social.
A
Uerj hoje é o projeto de maior inclusão social do Estado do Rio. Não há
comparação do que foi feito para ampliar a presença da Uerj no interior nos
seus 71 anos de existência”, aponta Lodi.
O
Polo de Extensão de Paty do Alferes
Um
dos primeiros Polos de Extensão da Uerj no interior do Estado do Rio de Janeiro
teve início na cidade de Paty do Alferes. Tudo começou em 2021, quando Samuel
Marques procurou Ricardo Lodi e promoveu um encontro do então reitor da Uerj
com o prefeito de Paty do Alferes, Juninho Bernardes. A iniciativa de Samuel
deu frutos, e em dezembro, aconteceu a assinatura do acordo de cooperação entre
a universidade e a Prefeitura Municipal, em cerimônia realizada na Escola
Laudelina Bernardes. Com isto, são várias as atividades que vem sendo
realizadas nas áreas de educação física, lazer, arte e cultura, atendendo a
cerca de duas mil pessoas.
No
Centro Cultural Maestro José Figueira, são oferecidas oficinas de
teatro, violão e dança. Na Escola Municipal Laudelina Bernardes acontecem
aulas de pré-vestibular social. No Ginásio Municipal Esportivo Hugo Corrêa
Bernardes Filho, crianças e jovens praticam futebol, vôlei, capoeira, entre
outros.
É
maravilhoso poder verificar o crescimento da Uerj em Paty do Alferes. Um
projeto que vem oferecendo atividades extensionistas e aulas de pré-vestibular
para a população local, cumprindo importante papel social de trazer a
Universidade pública, gratuita, laica, de excelência e referenciada socialmente
para as mais diversas regiões fluminenses", concluiu Lodi, em entrevista
ao Jornal Em Destaque.
Como
vimos, em um espaço curtíssimo de tempo e com uma pandemia no meio do caminho,
ainda assim foi possível a um reitor promover educação pública de qualidade e
tudo o mais que a Educação de excelência traz a reboque. E qual a
receita? Uma pessoa qualificada e capacitada no lugar certo, e que acredita – à
semelhança de países que apostam na Educação para se desenvolver e desenvolver
sua população – que é possível transformar pessoas e nações inteiras
valorizando professores, estudantes e instituições de ensino. Em outras
palavras, alguém que acredite e aposte na Educação!
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