A
onda de calor que está atingindo a Europa fez com que a época de incêndios
começasse mais cedo este ano. Mais de 250 mil hectares já foram queimados desde
janeiro e os satélites ajudam a identificar fogos ativos e a medir a
temperatura no solo com imagens impressionantes.
Os
números são do sistema de informação europeu de fogo em florestas (EFFIS
na sigla em inglês, acrônimo de European Forest Fire Information System) que
indica que a época de incêndios começa cada vez mais cedo na Europa e
apresenta dados comparativos que recuam até 2006. Desde 1º de janeiro a 9 de
julho já tinham ardido mais de 250 mil hectares na União Europeia - o que
corresponde a cerca de três vezes o número médio para os mesmos períodos
de 2008 a 2020.
França
e Espanha representam cerca de 40% do total de terreno ardido na União Europeia
nos últimos seis meses e no início de julho, o número de hectares
queimados nesses dois países já era quatro vezes maior do que o registado entre
2008 e 2020, um valor que poderá aumentar com a continuidade da onda de calor.
Portugal também sofre com queimadas que já deixaram vítimas humanas.
SUL-FLUMINENSE
Aqui
na nossa região, lamentavelmente, vemos vários focos de incêndio nas lindas
montanhas que adornam o Sul-fluminense. Algumas queimadas chegam bem próximas
às estradas, colocando em risco quem trafega e residências próximas.
Outra
preocupação é com os animais e as nascentes, que precisam ser protegidas e,
para tanto, esforços devem ser empenhados não só pelas pessoas como, acima de
tudo, pelos poderes governamentais.
Algumas
técnicas nada impraticáveis ou caras podem ser utilizadas. Uma delas é o
aceiro.
O
que é um aceiro?
Aceiro
é o desbaste de um terreno que circula as plantações, ou uma propriedade.
Também chamado de atalhada, ele pode existir em torno de matas e
florestas. A principal função do aceiro é manter o espaço limpo evitando,
portanto, a propagação de incêndios. Um incêndio em uma plantação ou pastagem
pode trazer enormes prejuízos. Então, o espaço limpo deve proteger cercas,
postes e arames, por exemplo.
Como
fazer um aceiro?
O
principal objetivo dessa técnica é de romper a continuidade da vegetação e
retirar matéria orgânica do local. Desta forma, se ocorrer um incêndio, o fogo
fica em um espaço restrito e não irá se propagar.
O
aceiro pode ser aberto periodicamente, como forma de prevenção, ou ainda quando
o incêndio já está alastrado – o que restringe os danos.
Evitando
incêndios com a ajuda do aceiro
Sozinhos,
os aceiros não são suficientes para evitar um incêndio. Isto porque o fogo pode
começar por causas acidentais, como uma bituca de cigarro jogada no chão, ou
naturais, como um raio.
O
aceiro só vai cumprir sua função se for limpo constantemente, eliminando o
material que pode ser combustível em uma queimada.
Na
prática, como fazer aceiros em grandes áreas?
Tomando
por exemplo municípios do Vale do Café, uma união dos chefes de governos
municipais e a ajuda do Exército Brasileiro podem resultar em uma força-tarefa
capaz de – com o reforço de maquinários das forças armadas – evitar os grandes
prejuízos causados pelas queimadas.
Seria
pouco provável que, depois de uma boa conversa destes governantes com o Comando
do Exército de Resende, não se consiga apoio técnico e logístico para tal ação
conjunta.
Pelo
menos uma vez ao mês se vê um helicóptero militar sobrevoando a região de Paty
do Alferes. O município conta com um Campo Militar de Instrução, em Avelar. Esta
aeronave, por exemplo, poderia ser utilizada para identificação (mapeamento) de
locais onde os aceiros devem ser estrategicamente criados. Unindo mão-de-obra
municipal e maquinário do Exército se poderia avançar bastante nesta questão.
Este conteúdo foi produzido a partir da
sugestão de um leitor do ED.
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