Apoio dos russos à guerra na Ucrânia se deve à manipulação, afirma organização de investigação sociológica russa





04/06/2022 23:31 ( Atualizado em 04/06/2022 23:33) | Ásia | Mundo |

Helio de Carvalho



Mais de 100 dias após a invasão, a maioria dos russos continua apoiando a guerra na Ucrânia, mas a sua atenção começa a se desviar. Uma sondagem recente do Levada Center, organização independente, reconhecido como agente estrangeiro na Rússia, diz que 73% dos inquiridos acreditam que a "operação militar especial" está sendo bem-sucedida. O apoio resulta da manipulação, conduzida pela máquina de propaganda do Estado, sobretudo através da televisão.

A televisão é vista como a fonte de informação mais objetiva sobre a situação, mas existe uma elevada percentagem de pessoas que não a consideram como tal. A maioria dos inquiridos continuam preocupados com os acontecimentos na Ucrânia”, publicou Levada Center - Organização de investigação sociológica russa.

Lev Gudkov, responsável por esta Organização, o único grande polígrafo independente na Rússia, diz que o apoio público à guerra é o resultado de uma manipulação da consciência das massas pela máquina de propaganda do Estado.

Trata-se quase de um bloqueio total de informação e de censura. Uma enorme camada da população recebe notícias apenas através da televisão e a ela transmite uma demagogia muito agressiva - mentiras e propaganda, diretamente para o público - com a manipulação de imagens muito sugestivas”, disse Lev Gudkov.

Gudkov alertava para o fato de não se estar "falando apenas do impacto imediato da propaganda, o problema é muito mais grave". Esta propaganda, explicava, "despertou" as camadas "características da era soviética", a uma luta contra o Ocidente. A "consolidação em torno da liderança do país". 

Em confronto com o Ocidente, duas potências lutam contra o inimigo confiando na moral imperativa da vitória sobre o nazismo. A retórica da luta contra o nazismo, independentemente de quem venha a ser declarado nazista, desta vez.

O apoio à guerra traduz-se na "aprovação das ações de Putin", confirmada pelo muito elevado índice de popularidade do presidente russo no país, como acontece "durante as campanhas militares". Foi sentida durante a segunda campanha chechena, a guerra na Geórgia ou a anexação da Crimeia. Gudkov diz que, 

neste momento, a popularidade do chefe de Estado está a se aproximar do nível máximo".

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