Foto/Dr. Rogério Tabet
Dr. Rogério Tabet, mais
conhecido como Dr. Bigodin, é médico (CRM 97801-SP),
Ginecologista, Obstetra com formação há mais de 21 anos pela Universidade
Unilus de Santos - São Paulo. Atua no atendimento pré-natal de alto
risco, atendimento especializado em ginecologia e, mais recentemente,
telemedicina, atende no SUS (Sistema único de Saúde) há 17
anos, ambulatórios e pronto-socorro.
Em meio a um contexto de tantas
incertezas, que eu entrevistei com exclusividade, o Dr.
Rogério Tabet, que faz vários esclarecimentos sobre o seu projeto 'Humaniza SUS'.
Para parcerias, e eventuais dúvidas, acessem as seguintes páginas: Facebook, Instagram
e fique ligado no programa: "Café
com o Dr. Rogério", através do seu canal no Youtube.
O que é o “Humaniza SUS” e qual a finalidade?
Dr. Rogério Tabet
- Quando se fala em âmbito nacional sobre humanização do
SUS, podemos nos referenciar na Política Nacional de Humanização, criada pelo
Ministério da Saúde, em 2003. Resumidamente é trabalhar transversamente a
temática da humanização, impactando nas diversas políticas de saúde,
objetivando a qualificação da atenção e gestão do SUS.
1.
a) Esta Política Nacional de Humanização tem três princípios
básicos:
1.
b) Unificação da atenção e gestão dos processos de produção da
saúde;
1.
c) Transversalidade e autonomia para o protagonismo das pessoas;
1.
d) Constante atualização, em busca dos princípios do SUS, pautados
na coletividade, não só envolvendo o governo federal, mas níveis estaduais
municipais.
-
Em meu ponto dei vista a principal finalidade é tornar cada um dos
profissionais protagonistas na busca de uma gestão qualificada, universal,
integrando o cuidado e humanização para todos.
O que o motivou a fazer uma abordagem
humanizada aos pacientes?
Dr. Rogério Tabet
- Desde muito cedo, ainda como residente nos hospitais
públicos, eu pude perceber o quanto as pessoas estavam carentes de cuidados
“primários”. Elas iam ao hospital para serem curadas, ou para que pudéssemos
aliviar seus sofrimentos. No entanto, embora a Medicina como ciência e
profissão, tenha o embasamento teórico e a oferta de tratamentos e medicação
para o atingimento dos objetivos de cura e alívio da dor, nunca fiquei
insensível às mazelas e a observação do ser humano completo, composto de corpo,
mente e espírito. Cada um dos pacientes que eu atendo não são meros pacientes
são seres humanos, assim como eu, que necessitam de cuidados extras de
humanização e afeto.
Como o senhor tem visto a atuação dos
profissionais do SUS (Sistema único de Saúde) frente à covid-19?
Dr. Rogério Tabet - Estar vivendo
em uma pandemia, onde você pode, diariamente, se deparar com a morte, é uma
situação de stress intensa, que abala a constituição de qualquer ser humano. Os
profissionais da saúde que estão na linha de frente, ao assumirem suas
responsabilidades de cuidar e aliviar os sofrimentos, estão exercendo suas
funções essenciais como médicos. Além destes, temos os enfermeiros,
fisioterapeutas, faxineiras. Todos que estão na linha de frente têm o meu
respeito e admiração, pois estão realizando o seu propósito aqui, independente
das situações de stress que vivenciam diariamente.
Como levar mais qualidade de vida
para as pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza?
Dr. Rogério Tabet - Esta é uma
pergunta muito difícil de ser respondida. Ainda na faculdade estudamos a
Pirâmide de Maslow que fala das cinco categorias de necessidades humanas:
fisiológicas, segurança, afeto, estima e a autorrealização. A principal
necessidade que está na base contemplam as necessidades fisiológicas, sono, comida,
etc... Se você não tem o que comer como pode pensar em qualidade de vida? Desta
forma, como humanista, o mínimo que eu posso pensar em levar é esclarecimento,
cuidado e alegria, por meio de um sorriso e de um atendimento humanizado.
Como
médico, quais são as situações mais delicadas com as quais o senhor se depara
no “Sistema Único de Saúde”?
Dr. Rogério Tabet - Vivemos hoje em
um sistema onde as métricas de qualidade são mensuradas por números, isto
muitas vezes impacta para que tenhamos um atendimento mais personalizado.
- Além disso, a colaboração deveria ser mandatória nas diferentes
áreas, seja na atuação em uma consulta, nas escolhas em uma administração de
vagas, ou mesmo nas discussões em um conselho gestor. Acontece que, por sermos
seres humanos com diferentes ambições e individualidades, a colaboração para o
meu comum, muitas vezes não é a grande prioridade aplicada.
Quais
são as carências mais relevantes que o senhor percebe na área de saúde e quais
as políticas públicas que deveriam ser implementadas para diminuir as
desigualdades?
Dr. Rogério Tabet
- Nestes 17 anos de SUS, enxergo que existe falhas de
todos os atores. Pelo lado do paciente, existe aquela cultura de uma
“receitinha”, só assim fica satisfeito que foi bem atendido. Por outro lado, a
falta de humanização quando se fala de usuário, gestor e trabalhador. Na
administração há interesses econômicos e políticos, e não voltamos para o ser
humano. Posso parecer utópico, mas não sou.
-
Sei da necessidade de abordar a saúde como negócio, dentro de um âmbito de
planejamento de orçamento público, o que quero dizer aqui é que os interesses
particulares sejam econômicos e políticos de cada gestão ficam à frente de
decisões voltadas para o bem-estar da população. Finalmente, vejo políticas de
gestão ultrapassadas que engessam ações resolutivas adaptadas ao seu tempo,
impedindo assim a desburocratização da saúde pública.
O que o senhor tem feito para de
algum modo aliviar o sofrimento destas pessoas?
Dr. Rogério Tabet - Eu acredito na
informação e na alegria para que possamos enfrentar a batalha diária. No meu
atendimento nos ambulatórios procuro sempre trazer um sorriso, informação e
conforto para meus pacientes. Além disso, hoje tenho canais em Redes Sociais,
onde contribuo com informações e crio engajamento com meus seguidores.
Sabemos das dificuldades enfrentadas
nas unidades de saúde de todo o Brasil. Como é para o senhor, como
Ginecologista e Obstetra, fazer um procedimento de Gestação de Alto Risco em
hospitais públicos?
Dr. Rogério Tabet - Atuar como
Ginecologista e Obstetra na gestação de Alto Risco na saúde pública é ainda
mais gratificante e desafiador. Temos muitas dificuldades sim, mas aquela
paciente que está ali, necessitando de cuidados, é um ser humano assim como a
paciente de um hospital de alto padrão. Na hora do atendimento não enxergo as
dificuldades. Enxergo sim o ser humano e me preparo para dar o melhor para
aquela pessoa que está ali precisando de ajuda.
Quais as
suas considerações finais?
Dr. Rogério Tabet - A
Saúde Pública tem muitos problemas sim. Mas existem muitos países, como os
Estados Unidos, que não conferem o direito à saúde gratuita a seus cidadãos.
Este deveria ser um direito universal. O SUS tem problemas, mas também tem
soluções que somente ele pode oferecer, como hoje a FIOCRUZ foi responsável
pelo desenvolvimento da vacina nacional contra a COVID-19. Tenho um objetivo de
humanizar e oferecer serviço de qualidade para os que mais tem necessidade.
Perseguirei este objetivo com garra e determinação.
Instagram: @joaocostaooficial