Foto: divulgação
Alfredo Lopes é formado em Administração de Empresas e
Engenharia Civil pela Universidade Gama Filho, com
pós-graduação em Engenharia Sanitária e de Segurança do Trabalho, é Diretor da
Protel Administração Hoteleira, empresa integrante do Grupo Santa Isabel desde
1982, preside o Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município do Rio de
Janeiro (Hotéis Rio) e a Associação Comercial e Industrial do Recreio e Vargens
(ACIR), é também presidente do Conselho Curador do Rio Convention
& Visitors Bureau (Rio CVB), do Conselho Empresarial de
Turismo da Associação Comercial do Rio de Janeiro, e Diretor da Associação das
Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi). Foi presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (ABIH-RJ)
em vários mandatos e, hoje, está à frente do Conselho Deliberativo da
associação.
Com os desafios que estão sendo enfrentados com a pandemia da Covid-19,
que atingiu em cheio o segmento de turismo, o presidente da (ABIH-RJ) fala
em entrevista exclusiva sobre os desafios que o segmento tem enfrentado, qual a
situação real dos hotéis e o que tem sido feito para reverter este quadro -
entre outros temas.
Como está a situação hoteleira no Rio de Janeiro?
Alfredo Lopes - Para se ter uma ideia, no
início de março de 2020, a ocupação da rede hoteleira estava em torno de 70%, e
no mês seguinte, este índice caiu para 5%. A reabertura dos hotéis começou
timidamente em junho, mas ganhou força a partir de agosto. Atualmente, a
ocupação hoteleira na capital está em torno de 45%. Os empreendimentos de 4 e 5
estrelas, localizados na orla da capital, e os resorts e hotéis fazenda no
interior estão concentrando a maior demanda.
- Temos observado um grande movimento
de cariocas se hospedando em hotéis dentro da cidade, o chamado “staycation”, o
que representa uma oportunidade para o nosso segmento em tempos como
estes. A recuperação tem sido lenta, porém gradual, com maior
resposta do turismo interestadual e nacional, naturalmente. Mas, a recuperação
definitiva está diretamente ligada ao sucesso da campanha de vacinação e à
recuperação da economia.
Quantos postos de trabalho foram perdidos aproximadamente e o que tem
sido feito para se reverter este quadro?
Alfredo Lopes - Na apuração do final do ano
passado, já tínhamos registro de mais de 20 mil postos de trabalho suspensos e
cerca de 20% de colaboradores que perderam seus empregos. Como forma de manter
a maioria dos postos de trabalho, de imediato, firmamos Convenções Coletivas de
Trabalhos Emergenciais com os sindicatos dos empregados visando a manutenção
dos empregos e a aplicação da MP 936/2020. De uma maneira geral, os hotéis
optaram prioritariamente por adotar o banco de horas e dar adiantamento de
férias individuais e coletivas, mas a maioria fez uso da MP e da Convenção
Coletiva de Trabalho Emergencial com foco na manutenção de seu staff.
Quais têm sido os maiores desafios do segmento em meio a pandemia?
Alfredo Lopes - O maior desafio não é nosso, é
do mundo todo e de todos os segmentos econômicos: superar esta pandemia. Mas,
especificamente para o nosso setor o desafio é manter o fluxo turístico, em
simples palavras: ter cliente/hóspede. Esta recuperação total de nosso setor
pode demorar até quatro anos. Na parte prática, especialmente, passado o
período de alta temporada de verão, o nosso desafio imediato é estimular a retomada
do calendário de eventos e do turismo corporativo, que são segmentos com
resposta rápida e permanente.
Quais são as medidas que o senhor tem tomado diante da atual realidade?
Alfredo Lopes - Em um primeiro momento, as
medidas emergenciais buscavam a manutenção dos empregos, onde o nosso sindicato
teve uma atuação rápida e exemplar junto aos sindicatos laborais da categoria.
Temos, desde o início, mantido uma atuação e diálogo ativos junto aos órgãos
competentes no pioneirismo dos mais modernos protocolos de prevenção para
manter nossa operação segura para hóspedes e colaboradores. Investimos em ações
promocionais voltadas para os principais destinos emissores e, em parceria com
o receptivo turístico local, também para os cariocas.
-Temos, também, planejado uma série de ações para
fortalecer a retomada do turismo na cidade do Rio de Janeiro no pós-pandemia,
como o investimento no turismo de negócios, tendo em vista que as grandes
feiras foram postergadas. Cerca de 400 eventos de todos os portes, entre
congressos e feiras canceladas ou adiadas, estão no radar, representando uma
possibilidade de geração de fluxo para a capital após o fim da pandemia do
coronavírus.
O que vocês estudam fazer diante de novas medidas restritivas com a nova
variante do vírus?
Alfredo Lopes -Os
prejuízos são imensuráveis, econômicos e emocionais. Diante do triste cenário
da pandemia no nosso país, não há outra alternativa que não seja acatar as
medidas mais restritivas que, certamente, estão embasadas em opiniões técnicas
do Comitê Científico. Acreditamos que tanto o Governador quanto o Prefeito do
Rio estão olhando para a área científica, assim como para a econômica. Mas,
neste momento, se faz necessário que a área científica esteja à frente das
ações, para sairmos o quanto antes desse triste patamar de 2 mil mortes
por dia. A meta é que a retomada seja permanente, por
isso, é necessário agora concentrar todos os esforços no combate.
O senhor tem se reunido com os governos municipais, estadual e federal?
Alfredo Lopes - Sim, temos
participado intensamente de reuniões junto aos órgãos públicos estaduais e
municipais na identificação das melhores práticas para o setor. Já fizemos
inúmeras reuniões com a nova gestão para alinhar medidas emergenciais, planos
para a retomada do setor e ações para o fomento do setor de eventos. E nos
orgulhamos pela atuação estadual e municipal na construção da cartilha de
protocolos de prevenção à Covid-19, onde a hotelaria teve um trabalho ativo e
pioneiro.
Como tem
sido a atuação da prefeitura e do governo do estado do Rio de Janeiro em
relação a esta crise no setor hoteleiro?
Alfredo Lopes - A nova gestão chegou aberta ao
diálogo, tem se mostrado atenta às demandas do setor e adotado uma postura
responsável e ponderada frente aos nossos pleitos e desafios da pandemia. Os
gestores do mundo inteiro estão precisando recuar frente ao recrudescimento da
pandemia, aqui não poderia ser diferente. As medidas estão longe de serem
favoráveis, mas por hora se fazem necessárias.
Na
sua avaliação o que mudará no segmento de hotéis após a pandemia?
Alfredo Lopes - Já de imediato notamos uma preferência de
viagens rodoviárias, em núcleos familiares. Também cresceram as hospedagens de
longa permanência nos hotéis, o que chamamos de longstay, e a prática de
“viajar” dentro da sua própria cidade, o que conhecemos como staycation. Mas,
para o futuro próximo, a própria aceleração digital provocada pela pandemia já
traz algumas mudanças em si no comportamento do viajante. O trabalho e o estudo
remoto ou híbrido flexibilizam a agenda de viagens. Temos também um novo
movimento dos nômades digitais, que são pessoas que podem trabalhar de qualquer
lugar do mundo. Temos muitos segmentos novos a serem explorados.
Como
tem sido o cumprimento dos protocolos de segurança tais como; o uso de máscara
e de álcool gel?
Alfredo Lopes - A hotelaria é, hoje, um dos
lugares mais seguros para trabalho, lazer e turismo. Os hotéis foram pilotos
nas medidas emergenciais e responsáveis pela elaboração da cartilha de
protocolos junto aos órgãos responsáveis. Nossos colaboradores foram capacitados
para trabalhar preservando, em primeiro lugar, a saúde de seus pares e dos
hóspedes.
Quais são as perspectivas do senhor para este primeiro semestre de 2021?
Alfredo Lopes - Diante do cenário
que vivemos, podemos considerar que tivemos um bom verão. O desafio, como já
venho falando, vem agora, a partir de março, com o esvaziamento do turismo de
lazer. Havia uma expectativa da retomada do corporativo, mas março trouxe com
ele novas medidas restritivas. Os hotéis ainda continuam representando um dos
ambientes mais seguros, por seguirem os mais exigentes padrões de protocolo e
prevenção. Então, seguimos de portas abertas e em plena operação. O cenário
ainda é incerto, mas estamos esperançosos com os avanços da campanha de
vacinação.
Instagram: @joaocostaooficial