Refluxo
Mas além da pancreatite aguda, outro problema que pode acabar com a alegria de
suas comemorações de fim de ano é o refluxo gastroesofágico ou doença do
refluxo. Os excessos cometidos nestes períodos festivos agravam os sintomas de
quem tem a forma crônica da doença. "O refluxo acontece quando os conteúdos
do estômago e do intestino (a bile) retornam ao esôfago, fazendo com que a
mucosa esofágica seja agredida. Então quando o indivíduo come muito, e isso é
bem comum nesta época de festas de fim de ano, esse conteúdo dentro do estômago
estimula uma produção maior de ácido [gástrico] e outras secreções, e num dado
momento isso é refluído, ou seja sobe e retorna para o esôfago", explica o
cirurgião e endoscopista bariátrico Sérgio Barrichello (CRM: 111301-SP).
De acordo com o cirurgião do aparelho digestivo, doutor em cirurgia clínica e
professor adjunto da Escola de Medicina PUC Paraná, Flávio Ivano (CRM 10425 PR
), os episódios de refluxo costumam ser mais frequentes e intensos nesta época
do ano, pois as pessoas acabam relaxando nos cuidados com a alimentação, e
consumindo alimentos que agravam ainda mais os sintomas da doença. "Todo o
excesso alimentar aumenta a chance de refluxo gastroesofágico, e isso inclui
alimentos mais gordurosos, frituras, condimentados, bebidas mais ácidas (como
os refrigerantes). Tudo isso, mais o fato de as pessoas comerem muito e tarde
da noite, é contraindicado para portadores de doença do refluxo gastroesofágico",
destaca o especialista.
O médico lembra que as bebidas alcoólicas, também consumidas em larga escala
nesta época do ano, são outro fator preponderante para a ocorrência do refluxo
gastroesofágico. "O álcool, além de ser uma substância altamente
prejudicial à mucosa esofágica, dependendo da quantidade, pode ser bastante
calórico e assim contribuir para o aumento de peso, que também piora o quadro
de refluxo", explica Flávio Ivano.
Moderação sempre
Segundo outro especialista, o cirurgião do aparelho digestivo, professor de
medicina e membro Titular Especialista do Colégio Brasileiro de Cirurgia
Digestiva, Cesar Wakoff (CRM 744220 RJ), mesmo quem não sofre da forma crônica
do refluxo, pode ser acometido pelos sintomas da doença, em virtude dos
excessos cometidos durante as festividades de fim de ano. "O refluxo pode
atingir mesmo indivíduos saudáveis apenas pelo excesso de comida. A dilatação
do estômago e aumento na pressão do esfíncter esofágico podem promover um
refluxo apenas naquele momento, causando desconforto, que podem muitas vezes
simular até um infarto", alerta o especialista.
Para Wakoff, quem já sabe que tem a doença do refluxo e quer festejar neste fim
de ano, precisa, mais do que nunca, seguir a linha da moderação e da
disciplina. Ele dá inclusive algumas dicas simples, e que até parecem óbvias,
mas que nem sempre as pessoas seguem, e com isso acabam frustrando suas
comemorações. "Mantenha, mesmo neste período de festas, a dieta balanceada,
evitando condimentos e frituras; evite fazer refeições próximo da hora de
dormir, ao se alimentar à noite, espere pelo menos duas horas para depois ir se
deitar; evite também as bebidas alcoólicas, as bebidas ácidas como
refrigerantes e sucos diluídos com pó e o fumo", orienta o médico. Outra
boa recomendação dada pelo médico e que melhora os desconfortos noturnos do
refluxo é elevar a cabeceira da cama colocando um calço sob os pés da cama
elevando a parte superior.