Pfizer Brasil negocia com governo para ter vacina contra a Covid-19, no início de 2021





12/11/2020 21:24 ( Atualizado em 26/11/2020 10:49) | Brasília | Covid-19 |

Helio de Carvalho


Farmacêutica diz que objetivo é que o imunizante esteja no país no próximo trimestre


Por Pedro Fonseca/Reuters


O presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, afirmou nesta quinta-feira (12) que mantém negociações com o governo brasileiro com vistas a possibilitar a chegada ao país da vacina contra a Covid-19, em desenvolvimento pela empresa, no primeiro trimestre do ano que vem.


"No caso do Brasil, ainda estamos trabalhando fortemente com o governo brasileiro para tentar acelerar a disponibilidade no Brasil o mais rápido possível. Tenho esperança, como o governo também, de que no primeiro trimestre do próximo ano poderíamos estar contando com essa vacina disponível no Brasil", disse o executivo durante participação virtual em simpósio da Academia Nacional de Medicina sobre prováveis cenários de vacinação para a Covid-19.


A vacina da Pfizer Inc < PFE.N> passou a liderar, nesta semana, a corrida por um imunizante contra o novo coronavírus, depois que a empresa e sua parceira BioNTech anunciaram que sua candidata mostrou ter eficácia superior a 90%, com base em dados iniciais dos ensaios clínicos em estágio avançado.


A possível vacina passa atualmente por testes clínico em estágio avançado no Brasil com 3.100 voluntários nos Estados de São Paulo e da Bahia, mas não há até o momento acordo para compra pelo governo federal ou por qualquer Estado.


De acordo com o Ministério da Saúde, todas as vacinas com estudos avançados no mundo estão sendo analisadas para possível aquisição pelo governo federal, inclusive a do laboratório Pfizer.


Se for fechado um acordo, as doses seriam importadas das fábricas da Pfizer nos Estados Unidos e na Europa, mas posteriormente a empresa poderia firmar parceria com alguma instituição brasileira incluindo transferência de tecnologia: "Temos interesse em conversar para que essa tecnologia esteja presente no país", afirmou o executivo, lembrando que a vacina da empresa tem como base a tecnologia de RNA mensageiro, ainda inédita no mundo. "Um país como o Brasil tem que ter acesso e participar desse novo tipo de vacinas e plataformas", afirma Murillo.


Sobre a necessidade de armazenamento da vacina a temperaturas muito baixas, de no mínimo -70 graus Celsius, Murillo disse que a empresa já oferece juntamente com a vacina uma forma de armazenamento por até 15 dias que utiliza apenas gelo seco. "Não é um tema simples e tampouco resolve a logística, mas muda muito o esquema de pensar que um país precisaria, para cada centro de vacinação, ter um ultrafreezer, não é isso", diz.


A vacina terá três preços diferentes: um para países ricos, outro para renda média (como o Brasil) e um terceiro valor para países subdesenvolvidos, mas o executivo não detalhou.


Até o momento, o governo brasileiro fez sua aposta principal no campo das vacinas para Covid-19 na candidata desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca. Separadamente, o Estado de São Paulo tem um acordo com a empresa chinesa Sinovac, para a coronaVac.