Por Dr. Marco Lipay
O
câncer de próstata é a neoplasia sólida mais comum e a segunda maior causa de
óbito (oncológico) no sexo masculino. É o câncer mais incidente nos homens
(excetuando-se o câncer de pele não melanoma) em todas as regiões do Brasil.
Atualmente, é feito um diagnóstico de câncer de próstata a cada sete minutos e
registra-se um óbito pela doença a cada 40 minutos. Trabalhos científicos
mostram que 25% dos portadores de câncer de próstata morrem devido a doença e
20% dos pacientes são diagnosticados em estágios avançados.
Quando
os sintomas começam a aparecer, 95% dos casos já estão em fase adiantada. Não é
possível evitar a doença, mas é possível diagnosticá-la precocemente e, deste
modo, as chances de cura são superiores a 90%. Os números apresentados
justificam a necessidade de um acompanhamento com o Urologista a partir da
quarta década de vida.
Segundo
dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se que haverá mais de
65.840 novos casos no Brasil, enquanto nos Estados Unidos, segundo a Sociedade
Americana do Câncer, a estimativa é de 191.930 novos casos e 33.330 óbitos este
ano.
É
considerado um câncer da terceira idade, isto é, em três quartos dos casos no
mundo, manifesta-se a partir dos 65 anos. O aumento da incidência no Brasil
pode ser justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela
melhoria na qualidade dos sistemas de informação e, também, pelo aumento na
expectativa de vida.
O
INCA e a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) destacam a alta incidência do
câncer de próstata e, assim, ressaltam a importância da consulta médica, que
tem como objetivo o diagnóstico precoce. Lembramos que, nos estágios iniciais,
a doença não manifesta qualquer sinal ou sintoma, justificando assim uma visita
ao consultório do Urologista, que fará um histórico clínico detalhado somado ao
toque prostático e solicitação de outros exames necessários, como o PSA
(antígeno prostático específico), que podem sugerir a suspeita de um câncer. A
confirmação do diagnóstico faz-se por uma biópsia de próstata.
Os
fatores de risco para câncer de próstata são: idade, raça negra, obesidade,
hábitos alimentares ricos em gorduras, sedentarismo e fator familiar (quando se
tem um parente de primeiro grau com câncer de próstata, a probabilidade é até
duas vezes maior; e para aqueles que tem dois parentes de primeiro grau, essa
probabilidade é até seis vezes maior).
A
SBU recomenda que homens com mais de 50 anos procurem um Urologista, para uma
avaliação individualizada. Homens da raça negra ou com parentes de primeiro
grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. O rastreamento será
realizado após ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em uma
decisão compartilhada com o paciente.
Segundo
a SBU, muitos homens têm "medo" do diagnóstico de câncer, mas os
urologistas enfatizam que a medicina tem evoluído para proporcionar aos
pacientes tratamentos menos invasivos e cada vez mais eficazes.
Novidades
em exames de imagem são incorporadas ao cotidiano, como a ressonância magnética
multiparamétrica, que torna mais precisas as indicações de biópsias, evitando
procedimentos desnecessários ou o PET CT com PSMA que pode rastrear doenças
metastáticas de pequeno volume em locais incomuns.
Assim,
os tratamentos tornam-se individualizados a partir da coleta de dados sobre o
tumor, como por exemplo: seu volume; sua extensão e grau de agressividade e
exames de imagem. Além de considerar, também, a idade e perspectiva de vida do
paciente, doenças associadas, valor do PSA e Toque Retal, no momento do
diagnóstico. Desse modo, evitam-se tratamentos agressivos e desnecessários para
doenças de baixo risco de progressão.
Todos
os homens devem ser esclarecidos sobre o câncer da próstata e suas implicações.
Jamais podemos deixar de diagnosticá-lo em homens saudáveis e, assim, discutir
a melhor opção terapêutica. Deixar o câncer se manifestar espontaneamente é um
grande risco e causa sofrimento para o paciente e sua família, considerando a
evolução e potencial agressividade desse tumor.