Trump e Biden confiam na vitória, na eleição de maior mobilização de eleitores





03/11/2020 22:23 ( Atualizado em 08/11/2020 19:51) | Estados Unidos | Internacional |

Helio de Carvalho


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Texto por:Elcio Ramalho

Os americanos mostram muito interesse por esta eleição. Mais de 100 milhões de pessoas já haviam votado antecipadamente, sendo mais da metade, 63 milhões, pelo correio e o restante comparecendo às urnas. Uma das razões do voto antecipado foi a pandemia que voltou a atingir picos de casos em várias regiões e já deixou mais de 231 mil mortos por todo o país, se transformando em um dos principais temas da campanha. Pela primeira vez, os votos antecipados podem superar os do dia oficial da votação. 


Nesta terça-feira (3), milhões de eleitores comparecem às urnas enfrentando menos filas do que o previsto e respeitando as restrições sanitárias vigentes, com a obrigação do uso de máscaras e mantendo distanciamento físico.


Os americanos estão votando de várias formas, até mesmo por drive-thru, sem sair do carro. A mensagem massificada pelos candidatos e, também, pelas emissoras de rádios, televisão e nas redes sociais é para que eles saiam para votar, em um país onde o voto não é obrigatório. Os horários de votação variam de estado para estado, em alguns deles seções eleitorais ficam abertas até 20h ou 21h. 


Miami com poucas filas nos locais de votação


A mobilização neste dia foi bem menor do que o habitual em muitas regiões, como a Flórida. Em Miami, alguns centros ficaram praticamente desertos o dia todo, enquanto em outros locais habilitados os eleitores exerceram o direito em apenas alguns minutos.


No ginásio do parque José Martí, em um bairro onde há forte presença de latinos, os inscritos apresentavam o documento necessário para votar e entravam praticamente direto para o local de votação, no segundo andar.    


A jornalista dominicana Rosanna de León se surpreendeu com a rapidez e a pouca frequência no local. “Até agora não vi muitas pessoas, umas 10 embaixo e lá em cima a votação foi rápida, simples, votei em seis minutos. Agora é esperar pelos resultados”, disse.

 

Walter Sapata, de origem argentina, veio votar com seus três filhos de 18, 12 e 10 anos de idade. “Quis trazer meus filhos para ver a votação. Desde pequeno ensinam a eles que tem que votar. E eles me diziam, tem que votar papai. Ensinam muito a eles a obrigação de votar, o que é muito importante”, disse na saída do ginásio enquanto registrava com fotos o momento histórico. 


Luis Gallera, eleitor de origem cubana que vota há 45 anos, disse que foi muito mais fácil este ano. “Muita gente votou antes por causa da Covid”, afirmou o simpatizante republicano.


Muitos eleitores também votaram apenas no dia oficial por convicção.


“Decidi votar hoje independentemente do que aconteça e para ter certeza que meu voto vai ser contabilizado”, disse o jovem Steeve, de 27 anos.


Já o casal Sonia Ramirez e Mark Vinton decidiu comparecer ao local de votação com camisetas, acessórios com referência à bandeira americana. 

“Hoje é o verdadeiro dia para votar nos Estados Unidos, quero ser livre para escolher o que fazer neste país", diz Sonia, de origem peruana. “Hoje é o dia de votar. Não votamos dois meses antes, pois há muita fraude e corrupção. Você não precisa de dois ou três meses para votar”, justificou Mark, que improvisou um lenço como máscara.


Expectativa pelos resultados


Os americanos esperam uma noite longa de apuração e ficam na expectativa da divulgação de algumas projeções que podem indicar a tendência de vitória para um dos candidatos. Hoje, em entrevista à rede Fox News, Donald Trump disse ter uma” chance bem sólida” de vencer seu rival democrata. 


“É a política, é uma eleição, nunca sabemos”, relativizou durante uma visita a um de seus QG de campanha na periferia de Washington. Em uma rara declaração, o presidente de 74 anos evocou uma eventual derrota: “ganhar é fácil, perder não é jamais fácil, pelo menos para mim”, disse. 


Favorito nas pesquisas de opinião pública, Joe Biden, de 77 anos, ex-vice-presidente de Barack Obama recusou, por superstição, fazer qualquer previsão de resultados. Ele disse estar “confiante” diante da forte participação nas urnas dos eleitores jovens, mulheres e da comunidade afro-americana que constituem a base de seu eleitorado.